Plataforma brasileira avalia grau de conformidade ESG nas empresas

Plataforma brasileira avalia grau de conformidade ESG nas empresas

Por Márcio Padrão | Editado por Claudio Yuge | 06 de Abril de 2022 às 12h00
Reprodução/ Austin Distel/Unsplash

O ESG — sigla para o conjunto de práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização — tornou-se uma meta importante, pois o impacto dos negócios no mundo importa cada vez mais, mas costuma ser difícil para pequenas empresas o alcançarem. Para ajudar nisso, a Codex, empreendimento gaúcho de governança de dados, lançou a Legaro, uma plataforma para companhias de médio porte medirem seus índices de ESG. O serviço é totalmente gratuito.

Enquanto o processo de adequação a essa abordagem normalmente leva a uma contratação de consultorias especializadas, a Legaro permite que um gestor ou funcionário de alto cargo de uma média empresa responda ele mesmo a diversas perguntas de indicadores ESG. A plataforma, assim, busca mais agilidade e praticidade nos processos de governança.

No final da avaliação, a Legaro mostra a pontuação da empresa testada em cada um dos três pilares e sugere possíveis melhorias. Outro recurso do serviço mostra a performance econômica da empresa, usando como referência índices de mercado como ISE B3, Dow Jones, MSCI e Global Reporting Initiative (GRI).

"É como se fosse um score de crédito do Serasa, para saber se você está deficitário em ESG ou não. Ao final, a empresa pode construir um plano de ação, que pode ser contratado dentro ou fora da empresa, com metas mais responsáveis", explica Venícios Santos, diretor de negócios da Codex em entrevista ao Canaltech.

Plataforma Legaro, da Codex (Imagem: Divulgação/Codex)

O Legaro foi criado tanto com benchmarks (análises de desempenho) de grandes empresas com modelos mais maduros de ESG, como Renner, Gerdau e Sicred quanto com a consultoria de especialistas da escola de negócios Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte.

ESG por conta própria é confiável?

Uma dúvida que paira sobre o modelo da plataforma é quão confiável é manter a análise ESG da empresa nas mãos de seus próprios funcionários. Afinal, eles podem ter seus próprios vieses ou desconhecimento sobre os indicadores, em vez de deixar nas mãos de consultores experientes. Sobre isso, a Codex responde que o serviço tem algumas garantias para evitar avaliações equivocadas.

Por exemplo, a ferramenta tem um algoritmo que analisa a empresa não apenas em relação a mais de 100 indicadores, mas também a informações contextuais de bases de dados públicos do IBGE, Ibama e secretarias de meio ambiente. Por exemplo, uma empresa que responder sobre a quantidade de pessoas pretas e pardas na equipe vai receber a nota de acordo com o percentual demográfico desses grupos na sua cidade-sede.

"É como no imposto de renda, onde a pessoa vai declarar seus dados, mas também vai haver cruzamentos com outros dados para validá-los", diz Valesca Reichelt, diretora de marketing da Codex. Outra proteção à conformidade do processo é que ele guarda o histórico de edições, que realiza alertas para a empresa que tentar voltar e alterar os dados a seu favor.

Como a Legaro — união das palavras "legado" e "futuro" — deve continuar gratuita, a Codex deve lucrar com ela a partir do segundo trimestre. A plataforma receberá um marketplace que permitirá às empresas contratarem serviços e fornecedores para melhorar seus índices ESG. A companhia gaúcha, com mais de 16 anos de atuação no segmento de governos, afirma ter levantado a um faturamento de mais de R$ 20 milhões em 2021.

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