Pix mais seguro: nova regra de reembolso vira obrigatória em fevereiro
Por Marcelo Fischer Salvatico • Editado por Bruno De Blasi | •

Todas as instituições financeiras do Brasil serão obrigadas a adotar o rastreamento estendido do Pix a partir de fevereiro de 2026. A nova diretriz do Banco Central (BC) aprimora o Mecanismo Especial de Devolução (MED) e permite que os bancos bloqueiem valores fraudulentos mesmo que o dinheiro já tenha passado por várias contas.
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Até o momento, a funcionalidade opera em fase facultativa desde novembro de 2025. Com a obrigatoriedade, o sistema bancário fecha o cerco contra a tática de pulverização de recursos, onde criminosos transferem o dinheiro roubado rapidamente entre diversas contas "laranjas" para dificultar a recuperação.
Caça ao dinheiro desviado
O modelo anterior do MED tinha uma limitação técnica que permitia o bloqueio de recursos apenas na primeira conta de destino. Se o golpista transferisse o valor segundos depois para uma segunda ou terceira conta, o mecanismo não era efetivo e a vítima dificilmente recuperaria o dinheiro.
Já o MED possui um sistema que marca a transação suspeita e usa a tática do “follow the money” (siga o dinheiro, em inglês), que investiga os rastros do dinheiro. Se a fraude for comprovada, os bancos podem congelar os valores em qualquer etapa da cadeia de transferências, aumentando as chances de ressarcimento.
A atualização chega em um momento de alta nos golpes envolvendo o Pix. Dados do Banco Central obtidos pelo Estadão mostram que fraudes envolvendo a ferramenta geraram R$ 4,9 bilhões em prejuízos em 2024, 70% a mais do que em 2023.
Além disso, estatísticas de mercado apontam que a taxa de recuperação de valores contestados em 2025 foi baixa, girando em torno de 9%, o que reforça a necessidade de ferramentas mais agressivas de rastreio.
O que muda para o usuário?
Na prática, o procedimento para quem sofreu o golpe não muda. Não é necessário ativar nenhuma configuração nova no aplicativo do banco. Ao perceber a fraude, a vítima deve acionar o MED através da área Pix do seu banco o mais rápido possível.
Vale ressaltar que o mecanismo é exclusivo para casos de crimes, golpes ou falhas operacionais. Ele não cobre transferências feitas por engano (como digitar a chave errada) ou desacordos comerciais entre pessoas físicas.
Pix não terá taxas
Além das mudanças de segurança, o início deste ano foi marcado por boatos sobre uma suposta taxação do Pix.
A Receita Federal desmentiu os rumores, esclarecendo que as novas regras de transparência (Instrução Normativa nº 2.278) são focadas em fintechs e combate à lavagem de dinheiro, sem criar nenhum imposto sobre as transações dos usuários.
Outra novidade no radar para este ano é o Pix Parcelado. A função, que pode substituir o cartão de crédito em algumas situações, segue em desenvolvimento pelo BC e foi adiada de 2025 para 2026.
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