Fundador da Huawei nega acusações de espionagem e elogia Trump

Por Felipe Demartini | 15 de Janeiro de 2019 às 23h00
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Em sua primeira aparição pública desde 2015, o fundador da Huawei, Ren Zhengfei, negou acusações de espionagem e disse esperar uma solução pacífica para os conflitos que levaram à prisão de executivos da companhia, incluindo a própria filha, que atua como diretora financeira. Em sua fala, ele enalteceu o presidente americano Donald Trump, ao mesmo tempo em que refutou as acusações de que sua empresa seria teria ligações com o governo chinês.

Falando aos jornalistas, Ren se definiu como um patriota, que ama seu país e também o partido comunista que o governa. Por outro lado, ele disse não enxergar relação entre suas visões políticas e os negócios de sua empresa, que não teria relação alguma com o governo chinês. Antes de se tornar um bilionário do mundo da tecnologia, ele era um oficial do Exército Popular de Libertação, corpo militar da China, mas, novamente, disse que uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Ele também negou que a Huawei tenha participação ou importância nas tensões comerciais que se constroem entre os Estados Unidos e a China, afetando diretamente o setor de tecnologia. Na visão de Ren, Donald Trump é um grande líder, que tomou decisões ousadas em seu país e tornou a resolução de tais conflitos um dos principais pontos de sua presidência. O bilionário acredita que as questões econômicas entre os dois países devem ser resolvidas em breve.

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Ao enaltecer o presidente americano, Ren também disse que espera ver Trump intervindo em prol de sua filha, Meng Whanzhou, que está presa desde dezembro no Canadá sob acusações de espionagem. A Huawei é acusada de quebrar sanções econômicas que impedem empresas que atuem em solo americano de negociarem com companhias inimigas, como é o caso do Irã e da Coreia do Norte, para quem a fabricante teria vendido equipamentos de tecnologia.

Meng atua como diretora financeira da companhia e é a filha mais velha de Ren. Ela foi libertada da prisão mas permanece monitorada no Canadá, com tornozeleira eletrônica e sem a possibilidade de deixar o país até que os imbróglios envolvendo uma possível extradição para os EUA sejam resolvidos. Na última semana, também, dois funcionários da Huawei foram presos na Polônia, também sob acusação de espionagem, com um deles, que ocupava o cargo de diretor de vendas para a região, sendo demitido.

A primeira aparição pública de Ren em quase quatro anos foi citada pela imprensa internacional como uma demonstração da gravidade com a qual a Huawei encara toda a questão. O bilionário é recluso e avesso a falar com a imprensa, mesmo sendo o principal representante de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. A ideia seria mostrar que a companhia está disposta a cooperar e, acima de tudo, trabalhar em sua imagem, que vem sendo cada vez mais abalada por escândalos como os correntes.

Há de se levar em conta, logicamente, também a questão econômica. Novamente por sua posição de destaque no mercado de tecnologia, a Huawei tem muito a perder caso veja contratos desaparecerem devido às acusações de espionagem. Além disso, a companhia trabalha em prol da resolução das questões econômicas entre EUA e China, de forma que isso, também, não interfira no andamento de seus negócios.

Fonte: Bloomberg

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