Bancos defendem Pix após ameaça de novas tarifas dos Estados Unidos ao Brasil
Por Bruno De Blasi |

Após a nova ameaça de tarifas dos Estados Unidos ao Brasil, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) defendeu o Pix nesta terça-feira (2). Segundo a entidade que representa o setor bancário, a plataforma é um fator positivo à competição e à atividade econômica, e está disponível tanto para brasileiros quanto para estrangeiros.
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"O Pix é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e, consequentemente, da atividade econômica", diz.
A federação também destacou que o sistema é aberto, sem restrição à entrada de novos participantes brasileiros e de outros países. O único requisito é a presença da companhia no Brasil por ser uma plataforma local, com transações em real, e, no caso de pessoas físicas, manter uma conta em bancos ou fintechs.
“Acreditamos que as avaliações do USTR resultem mais de informações incompletas acerca dos objetivos e funcionamento do Pix”, afirma o comunicado. “Temos boa expectativa de que, no âmbito do sistema de audiência pública, que continua aberto pelo USTR, as contribuições do Banco Central do Brasil (BCB) e dos integrantes do sistema bancário brasileiro, incluindo os bancos americanos, vão ajudar no esclarecimento das conclusões do órgão americano de comércio.”
Cartões e Pix em alta
O Pix se destaca no Brasil devido à flexibilidade e instantaneidade. Não à toa, a plataforma acumulou uma marca de 21 bilhões de transações e movimentou R$ 9,7 trilhões com compras, pagamentos de contas, transferências bancárias e demais operações no primeiro trimestre de 2026, de acordo com dados do Banco Central do Brasil (BC).
Por outro lado, isto não significa que o uso do cartão diminuiu ou perdeu a relevância. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), houve 11,7 bilhões de transações no crédito, débito e em opções pré-pagas no mesmo período, um crescimento anual de 3%.
Em termos de movimentação, as modalidades alcançaram R$ 1,1 trilhão. O destaque vai para o cartão de crédito, que expandiu 12,8% e concentrou R$ 810,2 bilhões de pagamentos.
Dentro desse período, os pagamentos por aproximação com cartões chamaram a atenção ao representar quase 75% das operações com cartões no Brasil. Ao contrário do Pix por Aproximação, que não deslanchou mesmo após um ano de lançamento.
A situação é similar em relação aos pagamentos recorrentes, que acumularam R$ 41,7 bilhões nos cartões, sendo nove em cada dez operações feitas no crédito. Já o Pix Automático, que também não demonstrou expressividade desde a sua estreia, concentrou R$ 147,4 milhões no primeiro trimestre de 2026.
Política “irrazoável” e prejudicial
A defesa ao Pix ocorre após a conclusão de uma investigação iniciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que classificou as políticas econômicas do Brasil como “irrazoáveis” e prejudiciais ao comércio dos EUA e propôs uma tarifa adicional de 25% à importação de produtos brasileiros.
Entre os pontos levantados, está a centralização de funções pelo BC. A entidade afirma que o banco central atua como órgão regulador e operador do Pix simultaneamente, o que cria vantagens artificiais capazes de limitar a concorrência de provedores privados estrangeiros.
Cabe ressaltar que o Pix é citado na investigação sobre práticas desleais desde o ano passado.