Escassez global de chips atrasa e até paralisa produção de eletrônicos no Brasil

Escassez global de chips atrasa e até paralisa produção de eletrônicos no Brasil

Por Roseli Andrion | Editado por Claudio Yuge | 23 de Julho de 2021 às 21h20
Wikiwand

Poucas empresas no mundo fabricam todos os chips que a indústria de eletrônicos mundial usa em seus produtos. Isso porque a confecção desses componentes é extremamente complexa e cara. Para se ter uma ideia, uma oficina de última geração pode custar até US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 104 bilhões na cotação atual). E o processo de ajustes para que a unidade se torne operacional pode levar anos.

Com a pandemia, muitas dessas indústrias tiveram suas atividades paralisadas. Sem a produção dos chips, a carência logo veio. Primeiro, afetou as montadoras de automóveis. Agora, chegou às fábricas brasileiras de eletrônicos, como TVs, notebooks e celulares: quatro a cada dez delas apresentam atrasos ou interrupções de produção.

Imagem: Reprodução/Envato

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), 12% dos fabricantes do setor tiveram de parar parte da produção no mês passado por falta de componentes eletrônicos. Esse é o maior registro desde fevereiro, quando a entidade começou a acompanhar o impacto da ausência desses insumos no mercado.

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Por enquanto, nenhuma unidade de eletrônicos teve de parar completamente a produção por aqui. Mesmo assim, os fabricantes desses produtos relatam dificuldades para comprar o insumo: em maio, eles eram 55% e, em junho, chegaram a 71%.

Normalização só em 2022

O Gartner avalia que essa escassez mundial de semicondutores só deve ser superada no segundo trimestre de 2022. A maior parte das empresas do setor (42%) aposta nessa previsão. Estima-se que a falta de chips possa vir a afetar severamente a cadeia de suprimentos e limitar a produção de equipamentos eletrônicos em 2021. 

Esses componentes são atualmente o principal material em falta na indústria de eletroeletrônicos, que enfrenta, ainda, dificuldade na aquisição de cobre e materiais plásticos. Hoje, 26% das empresas têm estoques de componentes e matérias-primas ao nível considerado abaixo do normal.

Imagem: Reprodução/Envato/orcearo

O levantamento da Abinee mostra, ainda, que quase todos os fabricantes do setor (93%) apontam o aumento dos preços de componentes como acima do normal em razão da combinação de escassez, aumento de tarifas de fretes marítimo e aéreo, e desvalorização cambial. Como resultado, o consumidor final passou a sentir isso diretamente: os produtos estão mais caros.

Fonte: InfoMoney

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