Após explosão do Falcon 9, surgem dúvidas sobre o futuro da Space X

Por Redação | 04 de Setembro de 2016 às 09h00

Quando o foguete da Space X (Space Exploration Technologies Corp.) explodiu na quinta-feira (01) carregando um satélite do Facebook para colocar em órbita, a primeira coisa que muitos pensaram foi que tudo estava bem, já que não havia nenhum astronauta e nenhuma pessoa se feriu. Mas logo depois uma dúvida pegou muita gente na curiosidade: e agora, quem vai pagar pelo ocorrido?

O conceito de levar uma carga milionária situada no topo de uma “bomba” não era a maior das preocupações quando os astronautas das missões Mercury, Gemini e Apollo foram enviados para o espaço no auge da corrida espacial nos Estados Unidos. Mesmo durante o vai e vem constante, os desajeitados projetos feitos às pressas e algumas tragédias ocorridas com o Challenger e Columbia, eram vidas que estavam em risco, e não somente o dinheiro público investido. Agora, o governo dos Estados Unidos está apenas observando o que as empresas independentes estão fazendo para contornar as situações de crise.

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Algumas das maiores empresas de seguro do mundo, como American International Group Inc (AIG)., Munich RE e Allianz SE, têm planos que oferecem seguro para viagens espaciais. A AIG afirma que é uma das poucas seguradoras capazes de oferecer uma política de seguro que abrange de até 5 anos, assim como oferece 2 anos de proteção antes do lançamento. A empresa, com sede em Nova York, participou da estratégia de proteção para a nave da Virgin Galatic, empresa concorrente da Space X, que caiu em 2014.

De acordo com a Allianz, em discurso em dezembro, os riscos da nova era espacial representam uma geração de novos desafios a serem enfrentados por empresas de vários ramos. Em 2012, a empresa alemã informou que os prêmios dos seguros espaciais giravam em torno de US$800 milhões, acarretando uma perda total de US$600 milhões no ano anterior. A companhia disse que o desafio futuro para as seguradoras inclui os valores de lançamento dos foguetes, a diminuição dos valores dos prêmios e a crescente exposição aos riscos. Isso significa que basta que alguns lançamentos explodam para que uma empresa que está segurando apenas poucos foguetes quebre da noite para o dia.

A Space X, de Elon Musk, não pagou nenhum seguro para o foguete Falcon 9 que explodiu no Cabo Canaveral, segundo pessoas que participaram do projeto que não quiseram se identificar. Acoplado à nave espacial, o bilionário pretendia lançar um satélite chamado Amos 6, construído pela Israel Aerospace Iindustries (IAI), uma empresa de defesa de capital fechado e operado por outra empresa israelense, a Space Communications. O satélite foi segurado por uma apólice de quase US$ 300 milhões. A Space X se recusou a comentar o assunto, enquanto a IAI disse que sua empresa mantém um seguro de pré lançamento que incluiu todos os riscos, incluindo os eventos durante o trânsito dos equipamentos e do local do lançamento.

Segundo boatos, a apólice de seguro para a Space Communication pode não ter sido ativada porque exigia um lançamento completo do foguete, ao invés do pré-lançamento como quando ocorreu o acidente. Um dos representantes da empresa espacial de Musk disse que a Space X continua a investigar as causas dessa anomalia ocorrida e sua agência de comunicação irá divulgar mais informações assim que for possível. As ações da companha caíram ao menor nível desde novembro devido a uma proposta de aquisição por um conglomerado chinês. O lançamento bem sucedido do Amos 6 era uma condição para a venda de US$ 285 milhões para uma unidade do Beijing Xinewi Group, de acordo informações divulgadas em agosto.

De acordo com especialistas da área, o acidento foi um balde de água fria nos planos de Musk, já que causou um grande impacto financeiro e adiou por algum tempo futuros lançamentos programados. Essa é a segunda perda de um foguete pela empresa de Musk em pouco mais de um ano. O satélite foi projetado para prover internet à região da África Sub-Saariana, em parceria com o Facebook e a Eutelsat, e conectar pessoas em zonas remotas do globo. Mark Zuckerberg, chefe executivo do Facebook disse em post publicado que ficou muito desapontado com a falha do lançamento do Falcon 9 e a consequente destruição do satélite que seria usado para conectar pessoas e empresários a todas as partes do mundo.

A empresa de Elon Musk abalou a indústria espacial criando uma concorrência nesse segmento e obtendo sucesso em lançamentos e pousos de foguetes reutilizáveis. Com isso, assinou contratos com a NASA, para levar mantimentos e outras encomendas para a tripulação da Estação Espacial Internacional, e com diversas empresas que precisavam colocar satélites em órbita. Esses contratos representam nada menos do que US$10 bilhões e preencheram a agenda da empresa, que já agendou mais de 70 lançamentos.

Fonte: Bloomberg

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