Disney deverá ter mais assinantes nos Estados Unidos do que a Netflix até 2024

Por Rafael Rodrigues da Silva | 17 de Junho de 2019 às 09h27

De acordo com analistas da Morgan Stanley, a Disney pode se tornar a vencedora da “guerra dos streamings” já nos próximos cinco anos — mas apenas nos Estados Unidos. No cenário global, a empresa ainda deverá ficar bem atrás da Netflix.

A análise, publicada pelo analista da Morgan Stanley Benjamin Swinburne na última quinta-feira (13), estima que dentro dos próximos cinco anos a Disney terá cerca de 95 milhões de assinantes nos Estados Unidos na soma de todos os seus serviços de streaming (Disney+, Hulu e ESPN Plus), enquanto a estimativa para a Netflix é de que nos próximos cincos ela retenha cerca de 79 milhões de assinantes no país.

O principal motivo para o rápido crescimento dos serviços de streaming da Disney em um período tão curto é o fato de os consumidores já gastarem dezenas de bilhões de dólares em produtos da companhia todos os anos — e todo esse conteúdo fará parte do Disney+.

Além dos desenhos e filmes que estampam a marca Disney (como Aladdin e O Rei Leão), o streaming da companhia também terá conteúdos exclusivos da Marvel e de Star Wars, o que faz com que a assinatura do serviço já se torne algo obrigatório para os fãs dessas franquias. Assim, esses consumidores — que já gastam entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões por ano em DVDs, Blu-Rays e outros produtos da empresa — certamente não demorarão para se tornar assinantes do streaming da companhia, fazendo com que comprar ações dela seja uma aposta bastante segura para o futuro.

Outro fator para esse crescimento é a estratégia de “três flancos” que a Disney está implementando em sua entrada no mercado de streaming. Ela utiliza a ESPN Plus (que já funciona há alguns anos), a Hulu (que a companhia já possui poder total de votação e veto, e tem uma promessa da Comcast de que irá vender todas as ações delas para a Disney nos próximos cinco anos, tornando a companhia do Mickey a única dona do serviço) e o Disney+, que deverá ser lançada em novembro deste ano.

Pelas estimativas da Morgan Stanley, só a Hulu e a ESPN Plus deverão fechar o ano de 2019 com uma quantidade somada de 30 milhões de assinantes nos Estados Unidos, o que corresponderá a cerca de 20% de todas as assinaturas de serviços de streaming existentes no país.

A análise considera que a Hulu continuará em crescimento constante pelos próximos anos, o que fará que, em 2024, o serviço tenha cerca de 54 milhões de assinantes, enquanto o Disney+ e a ESPN Plus deverão somar cerca de 41 milhões. Já o crescimento da Netflix deverá ser bem mais modesto: a empresa deverá fechar o ano de 2019 com cerca de 63 milhões de assinantes nos Estados Unidos, e em 2024 esse número deverá aumentar para “apenas” 79 milhões.

Mas essas estimativas mudam quando falamos do crescimento fora dos Estados Unidos. Nos últimos anos, a Netflix tem investido cada vez mais no mercado internacional, e isso fará a diferença para a empresa nos próximos cinco anos. Assim, a previsão é de que a plataforma atinja cerca de 280 milhões de assinantes fora dos Estados Unidos até 2024, enquanto os três serviços da Disney deverão somar cerca de 130 milhões.

A estimativa ainda considera que, ao fim de 2024, apenas o Disney+ deverá ter cerca de 70 milhões de assinantes. Pelos mesmos motivos do público dos Estados Unidos, o Disney+ deverá também fazer sucesso em outras regiões do globo, mas o fato de a Disney demorar cerca de dois anos para lançar o serviço em todas as regiões do mundo irá atrasar o crescimento dele nesse primeiro momento do lançamento.

Ao ser publicado na última quinta-feira (13), o estudo da Morgan Stanley fez com que as ações da Disney crescessem em 3% logo depois da divulgação dos resultados do estudo.

Fonte: Business Insider

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