Desafios do Século 21: Hackeando Humanos

Por Fernando D´Angelo | 22 de Janeiro de 2021 às 10h00
Pixabay

“Se as empresas e governos conhecerem melhor nós que nós mesmos, eles conseguirão nos convencer e nos vender tudo que quiserem! Eles nos manipularão e nos controlarão sem percebermos!”

– Yuval Harari, na HSM Expo (em tradução livre).

O mundo está cada vez mais conectado, e com isso cada vez mais informações a respeito de nossas ações estão sendo capturadas. Hoje, são informações das redes sociais que deixam nossas pegadas digitais. Amanhã, serão os milhões de sensores espalhados por todos os dispositivos que utilizamos (geladeira, calçado, automóvel, espremedor de laranja, cama, vaso sanitário, e inúmeros outros) que vão capturar informações sobre nosso consumo, nosso comportamento, nossa saúde, nossos relacionamentos, nossos sentimentos. E então, nossas pegadas digitais serão muito maiores e mais ricas em informação. 

Considerando o alto poder computacional, essa grande quantidade de dados e a alta capacidade analítica e de inferência dos algoritmos de Inteligência Artificial, em algum momento os algoritmos (e seus detentores — governo, empresas) saberão mais sobre nós do que nós mesmos, o que poderá permitir o hackeamento sistemático de milhões de humanos sem que saibamos.

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Esses algoritmos poderão prever nossos sentimentos, decisões, sensações, atitudes, nos manipularem e tomarem decisões por nós — e para isso não precisarão de muito. Eles não precisam nos entender completamente; basta nos entenderem melhor do que nós nos entendemos. E nós nos entendemos muito pouco!

As implicações?

Imagine um país totalitário que identifica os cidadãos que pensam contrário ao seu regime? Ou então outros países e gigantes corporações usando este tipo de algoritmo para vigiar a população brasileira? Ou em um processo de seleção para uma vaga de trabalho, ou ao solicitar um empréstimo no banco, ou até para decidir quem passa ou não no vestibular, a resposta seria apenas uma: “não, você não foi aprovado porque o algoritmo disse que não”.

Além disso, os humanos podem ser hackeados facilmente através de imagens e textos nas redes sociais. Não precisa coletar os dados no campo, mas na própria internet.

Mas a tecnologia não é determinística. A mesma tecnologia, aplicada em lugares diferentes, traz diferentes consequências. Está em nossas mãos lutar para que essas tecnologias tão maravilhosas sejam utilizadas para o bem da humanidade, e não como forma de privilegiar algumas empresas e governos.

*Este artigo foi inspirado nas palestras de Yuval Harari na HSM Expo 2019.

Agradecimentos à HSM e sua assessoria de imprensa pelo convite para acompanhar o evento HSM Expo 2019

*Artigo produzido por colunista com exclusividade ao Canaltech. O texto pode conter opiniões e análises que não necessariamente refletem a visão do Canaltech sobre o assunto.

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