Carros autônomos do Google já tiveram 272 falhas e quase bateram 13 vezes

Por Redação | 13.01.2016 às 09:52
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O Google sempre deixou claro que seu principal objetivo antes de lançar seus carros autônomos é torná-los 100% seguros, tanto para os passageiros quanto para os pedestres e outros motoristas. Só que um novo relatório mostra que a empresa ainda tem muito trabalho a fazer e, acima de tudo, aprender com os próprios erros.

Um documento enviado ao Departamento de Veículos Motorizados (DMV) da Califórnia, nos Estados Unidos, constatou que um total de 49 carros que dispensam humanos na condução foram utilizados em testes pelo período de 14 meses. As máquinas conseguiram dirigir sozinhas o equivalente a 682 mil quilômetros, mas sofreram 341 incidentes em que, ou o carro entregou seu controle voluntariamente ao motorista humano, ou a pessoa teve que intervir para evitar um acidente. Além disso, os veículos teriam sofrido algum tipo de batida pelo menos 13 vezes contra obstáculos caso funcionários humanos não tivessem impedido.

Só entre novembro de 2014 e novembro de 2015, os automóveis usados pela gigante das buscas, que variam entre os modelos "Koala" (o protótipo desenvolvido pelo próprio Google) e Lexus RX450h, tiveram 272 falhas de funcionamento envolvendo problemas de comunicação entre as diferentes partes do veículo que dependem de comunicação mútua, como os sensores de direção ou travagem. Neste caso, o motorista humano assumiu o controle do veículo em 0.8 segundos.

Nos 69 incidentes restantes, os funcionários tomaram o controle do carro por vontade própria - o automóvel para de se autocontrolar quando o motorista segura o volante ou pressiona o pedal do acelerador ou do freio.

Sem dar detalhes, o Google admite no documento que seus funcionários precisaram assumir o controle dos veículos "muitas milhares de vezes" durante os testes. No entanto, a empresa só relata esses últimos 69 incidentes porque, na visão dela, a regulação exigida pela Califórnia pede que só sejam denunciados casos em que o motorista precisou tomar o controle do carro e não quando o automóvel lida por conta própria.

Carro autônomo do Google

Segundo o DMV, todas as montadoras podem conseguir permissão para testar veículos autônomos nas ruas da cidade desde que forneçam informações sobre qualquer incidente em que o motorista humano precisa controlar a situação para manter o carro funcionando corretamente. "O Google poderia ser mais claro [nestes casos] de como ele classifica quais incidentes evitados pelos motoristas entram nos relatórios e quais ficam de fora", afirmou Bryant Walker Smith, professor assistente na Faculdade de Direito da Universidade da Carolina do Sul.

Em 56 dos 69 incidentes relatados, a empresa de Mountain View calculou que seu carro provavelmente não teria entrado em contato com outros objetos na pista. Contudo, reconhece que "alguns aspectos comportamentais [do veículo] poderiam ser uma causa potencial de contato com outros ambientes e situações caso medidas não fossem tomadas".

Já sobre os 13 acidentes evitados por seus funcionários, a companhia classificou os momentos como "simulação de contatos", quando "situações que teriam resultado em acidentes se motoristas humanos não tivessem tomado o controle". "Nesses casos, acreditamos que um motorista humano poderia ter tomado uma ação razoável para evitar o contato, mas a simulação indicou que o carro não teria tido essa ação", descreve o Google.

Outras seis montadoras - VW/Audi, Mercedes Benz, Google, Delphi Automotive, Tesla Motors, Bosch e Nissan - entregaram no dia 1º de janeiro de 2016 seus relatórios sobre os testes com seus respectivos carros autônomos. Até o momento, o Google foi a única empresa a tornar público esses documentos. Você pode acessá-los neste link (em inglês).

Fonte: The Guardian