Após crítica de investidores, Totvs atravessa Stone e tenta comprar Linx

Por Stephanie Kohn | 14 de Agosto de 2020 às 13h15

A Totvs fez uma proposta para a comprar a Linx, segundo carta enviada ao conselho da companhia na manhã desta sexta-feira (14). O plano deve ser analisado pela assembleia de acionistas da Linx junto com a proposição da Stone, que havia anunciado um acordo de compra da companhia na última terça-feira (11).

A empresa brasileira de software pretende comprar a Linx, pois ela “possui um forte racional estratégico em razão da alta complementariedade de mercados, soluções e serviços, resultando em uma substancial criação de valor para as companhias, seus respectivos acionistas, clientes e colaboradores”. A Linx é especializada em softwares de gestão para o varejo.

Segundo a carta, a Totvs pretende pagar pela Linx US$ 6,20 por ação mais uma ação própria. Com isso, os atuais acionistas da companhia passariam a ter aproximadamente 24% do capital total e votante da Totvs. A proposta representa um prêmio de 30,3% sobre o preço de fechamento da ação da Linx em 10 de agosto.

A empresa usa como principal argumento para convencer os acionistas da Linx o tratamento “igualitário e equânime” que pretende dar a eles com a sua proposta. O discurso vai de encontro com os últimos acontecimentos relacionados à possível compra da Linx pela Stone, já que alguns envolvidos na negociação, como a gestora FAMA Investimentos, disse, em carta aberta, que os acionistas minoritários seriam prejudicos com a oferta da fintech.

A avaliação é que os minoritários seriam prejudicados pelo acordo proposto pela Stone de não competição com os fundadores da Linx – Alberto Menache, Nércio Fernandez e Alon Dayan – que detém 13,92% da companhia. O valor a ser pago ao trio é de R$ 240 milhões. Menache tem ainda um contrato de trabalho por um período de três anos, pelo qual vai receber R$ 75 milhões, além do salário mensal de R$ 416 mil e outros benefícios.

Os termos propostos seriam uma forma velada de dar um prêmio de controle aos três acionistas, o que é proibido dentro das regras do Novo Mercado. O segmento da bolsa no qual a Linx está listada foi criado para privilegiar as boas práticas de governança corporativa, que incluem pagamento igual para todos os acionistas no caso de uma aquisição.

Fabio Alperowitch, presidente da FAMA Investimentos, que detém 3% das ações da Linx, criticou o negócio, pois o valor total a ser recebido pelo grupo será de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, o que resultaria em R$ 46 por ação, prêmio de aproximadamente 35% sobre o valor a ser recebido pelos minoritários.

Ao Canaltech Fabio Alperowitch disse que o ativo Linx é interessantíssimo e estratégico para muita gente. "O processo com a Stone mostra que os fundadores não quiseram maximizar o valor da empresa, e sim o valor próprio. Tendo abertura, haverá propostas concorrentes, como a da Totvs. Acho muito possivel aparecerem outras, o que prova que os gestores da Linx não estavam trabalhando em prol dos acionistas, a não ser deles mesmos. Este processo é uma grande vergonha", comentou o gestor.

Fonte: Startups

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