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Tinta que captura CO2 é desenvolvida com bactéria do deserto

Por| Editado por Luciana Zaramela | 17 de Outubro de 2023 às 18h52

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Freepik
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Na Inglaterra, pesquisadores da Universidade de Surrey trabalham no desenvolvimento de uma tinta verde viva. Feito a partir de uma bactéria encontrada no deserto, o biorrevestimento tem como promessa produzir oxigênio, enquanto captura o gás carbônico (CO2) do ambiente.

A característica praticamente única desta tinta inglesa só é possível devido à presença de uma bactéria na sua composição, a Chroococcidiopsis cubana. Esta é capaz de realizar a fotossíntese, limpando o ambiente do excesso de gás carbônico, dependendo da quantidade.

Por enquanto, mais testes práticos devem ser realizados antes que a tinta feita com bactérias contidas em um revestimento polimérico à base de água chegue ao mercado, mas os resultados obtidos nos testes iniciais com o material são animadores, segundo artigo publicado na revista científica Microbiology Spectrum.

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Bactéria que captura CO2

Como a bactéria da tinta é normalmente encontrada nos desertos e realiza a fotossíntese, os pesquisadores explicam que ela requer pouca água para sobreviver, o que a torna potencialmente viável para o uso como revestimento.

Para ser mais preciso, a bactéria que captura CO2 é classificada como como extremófila, ou seja, pode sobreviver a condições extremas, incluindo secas prolongadas e elevados níveis de exposição à radiação UV. “Isto a torna uma potencial candidata para [o uso durante a] colonização de Marte", sugere Simone Krings, autora principal do estudo, em nota.

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Testes práticos com a filtragem do ar

Para investigar o potencial uso da bactéria como biorevestimento, testaram a capacidade dela em gerar oxigênio dentro de um experimento controlado — testes da vida ainda não foram realizados. Dentro desse biorreator, as bactérias da tinta viva produziam até 0,4 g de oxigênio por grama de biomassa por dia, além de capturarem CO2.

Durante o período de duração do estudo, de um mês, a bactéria do revestimento continuou a trabalhar, sem demonstrar sinais de sinais de diminuição da atividade na captura do gás associado ao efeito estufa.

Como forma de controle, os pesquisadores testaram como outras bactérias reagiriam dentro dessas circunstâncias. No experimento com a Synechocystis sp., uma espécie que também realiza a fotossíntese, não foi possível produzir oxigênio conforme o esperado.

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Tinta viva é parte da solução

Diante dos resultados preliminares, os cientistas apostam que o uso de materiais mais inteligentes, como a potencial tinta, podem representar novos caminhos para conter o aumento da produção de CO2 e a crise climática. Inclusive, as emissões de carbono bateram recorde ano passado.

Ainda no campo das tinturas, pesquisadores dos Estados Unidos investem no desenvolvimento do que seria a tinta mais branca do mundo. Como ela reflete a maior parte da energia recebida, é teoricamente capaz de resfriar os ambientes, algo fundamental em um planeta em aquecimento. Só que sozinhos, sem outras políticas públicas, as tintas dificilmente terão impactos significativos.

Fonte: Microbiology Spectrum e Universidade de Surrey