"Relógio do Apocalipse" que prevê o fim do mundo não avançou, mas isso não é bom

Por Natalie Rosa | 29 de Janeiro de 2021 às 23h30
Reprodução/Wired

Em 1947, foi criado o Relógio do Juízo Final, conhecido também como Relógio do Apocalipse, como uma analogia às expectativas do fim da humanidade, indicando quanto falta para a destruição provocada por uma guerra nuclear. No relógio, o horário meia-noite simboliza o fim dos tempos, e neste ano os ponteiros continuam indicando que faltam "100 segundos para a meia-noite" — mesma medição do ano passado.

A informação vem da organização global sem fins lucrativos Bulletin of the Atomic Scientists (BAS), que conta com diversos especialistas analisando questões científicas e de segurança que possam trazer consequências negativas para o mundo, sendo eles que controlam o relógio. Mesmo em meio a uma pandemia que gerou uma crise global na saúde e na economia, não há previsão de que os ponteiros se aproximem ainda mais da meia-noite (ou seja, do "fim dos tempos") neste ano. Porém, ainda que os ponteiros estejam parados, a notícia não é boa.

De acordo com os dados da organização, permanecemos mais próximos da meia-noite do que nos últimos 60 anos. Na época em que foi ativado, faltavam sete minutos para o horário final, com os ponteiros retrocedendo e avançando de acordo com as possíveis ameaças de uma guerra nuclear, finalmente chegando aos 100 segundos para a meia-noite ao longo dos anos.

Imagem: Reprodução/Bulletin of the Atomic Scientists/Thomas Gaulkin

Os motivos que fizeram com que o "horário" ficasse estagnado estão entre os mais discutidos na atualidade. Com a chegada da pandemia de COVID-19, vimos que o mundo não está preparado para lidar com uma doença nova e tão perigosa como esta. Segundo a presidente e CEO do BAS, Rachel Bronson, governos de todo o mundo vêm abdicando de suas responsabilidades na hora de lidar com a pandemia — principalmente quando se trata de proteger a população.

Além disso, ainda existem armas nucleares pelo mundo. Steve Fetter, membro do conselho do BAS, conta que a Rússia, por exemplo, teria cerca de 1.000 armas nucleares que poderiam ser lançadas em questão de minutos. Enquanto isso, nações como a Coreia do Norte e o Paquistão continuam incrementando seus arsenais similares.

Para piorar, poucas atitudes realmente efetivas vêm sendo tomadas para impedir as mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global. Susan Solomon, professora de meio-ambiente no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), diz que as emissões de gases de efeito estufa foram reduzidas na pandemia, mas ela entende que, assim que tudo se normalizar, os níveis de emissão devem voltar a subir.

Então, manter o relógio estagnado é um alerta de que a humanidade precisa agir contra essas ameaças o quanto antes, pois ainda há tempo de salvar o planeta.

Fonte: Space.com

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