Por que animais venenosos não morrem com suas próprias toxinas?

Por que animais venenosos não morrem com suas próprias toxinas?

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 15 de Setembro de 2021 às 09h40
David Clode/Unsplash

Já ouviu aquela expressão "provar do próprio veneno"? Por que isso não acontece com os animais que são venenosos, de fato? A capacidade desses animais de evitar a autointoxicação intrigou os cientistas por muito tempo, e agora protagoniza um estudo da Universidade da Califórnia, em São Francisco.

O estudo se concentrou principalmente em pequenos sapos venenosos, da família Dendrobatidae — que vivem nas florestas tropicais da América do Sul e Central. Um único sapo carrega veneno suficiente para matar 10 humanos adultos. Eles não nascem venenosos, e sim adquirem sua substância química peçonhenta comendo insetos e outros artrópodes — e do gênero Phyllobates, que empregam uma toxina chamada batracotoxina, que atua interrompendo o transporte de íons sódio para dentro e para fora das células.

A batracotoxina faz com que os canais iônicos permaneçam abertos, resultando em um fluxo livre de íons carregados positivamente nas células. Se eles não conseguirem fechar, todo o sistema perderá sua capacidade de transmitir sinais elétricos. Basicamente, precisamos que esses canais se abram e fechem para gerar eletricidade que move nosso cérebro ou os músculos do coração, por exemplo. Se os canais simplesmente permanecerem abertos, não há atividade cardíaca ou neural.

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Como os animais escapam de seu próprio veneno?

Dendrobates tinctorius azureus (Imagem: cynoclub/Envato)

Existem três estratégias que os animais venenosos usam para parar a autointoxicação, segundo o estudo. A mais comum envolve uma mutação genética que altera ligeiramente a forma da proteína-alvo da toxina, para que ela não consiga efetuar a ligação para fazer efeito. Por exemplo, uma espécie de anfíbio venenoso chamada Dendrobates azureus carrega uma toxina chamada epibatidina, que imita uma substância química de sinalização benéfica chamada acetilcolina. Esses animais desenvolveram adaptações em seus receptores de acetilcolina, que mudaram levemente seu formato, tornando-os resistentes à toxina (já que ela não se encaixa no receptor, como uma chave em uma fechadura errada). 

Outra estratégia, usada por predadores de animais peçonhentos é a capacidade de se livrar totalmente da toxina do corpo, segundo os pesquisadores. Esse processo não é necessariamente o mesmo que evitar a autointoxicação, é apenas outra maneira de os animais evitarem ser envenenados por coisas que comem. O artigo ainda aponta que os sapos provavelmente produzem uma proteína que pode absorver a toxina e retê-la, o que significa que a toxina nunca terá a chance de alcançar esses canais de proteína vulneráveis ​​em primeiro lugar.

Você pode conferir o estudo completo aqui.

Fonte: Live Science

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