O núcleo da Terra está vazando, segundo análise de rochas canadenses

Por| Editado por Luciana Zaramela | 23 de Outubro de 2023 às 14h19

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Pode parecer bizarro, mas um grupo de geoquímicos sugere ter encontrado as primeiras evidências de que o núcleo da Terra — sim, a camada mais profunda do planeta — está vazando. Publicada na revista científica Nature, a pesquisa ainda é preliminar e mais estudos precisam ser feitos.

A hipótese de vazamento do núcleo do planeta é defendida por pesquisadores do Caltech e do Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI), que encontraram as evidências após analisar rochas ígneas (feitas a partir do magma) e fluxos de lava na Ilha de Baffin, no Canadá. Todo o raciocínio está baseado na presença de um isótopo de hélio bastante raro nessas amostras.

Hélio é extremamente raro

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O hélio é um gás nobre considerado raro na Terra. Hoje, o que existem são reservas do material no subsolo terrestre. Mais especificamente, no manto e no núcleo do planeta. Ali, estão vestígios do período de formação do planeta, após o Big Bang. Quando o hélio é liberado de sua reserva natural e não está “preso” em um cilindro ou um balão, ele geralmente escapa da nossa atmosfera para o espaço.

Análise de rochas no Canadá

Na recente pesquisa, os pesquisadores identificaram vestígios de hélio-3, um isótopo de hélio que é particularmente raro na Terra. No espaço sideral, bem como na Lua, pode ser facilmente encontrado.

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Mais precisamente, o estudo descobriu que a proporção de hélio-3 em relação hélio-4 — isótopo muito mais comum — era 67 vezes maior do que a proporção esperada na atmosfera. Esta foi a taxa mais alta já encontrada em rochas terrestres e, por isso, a possível origem mais provável tende a ser o núcleo do planeta. Os autores descartam a hipótese de vazamento do manto.

Estudando o núcleo da Terra

Se a hipótese de que o núcleo da Terra está vazando for confirmada, os pesquisadores poderão estudar, em profundidade, o material que compõe o núcleo — isto é extremamente difícil de investigar, já que faltam amostras.

A ideia é que, se o hélio-3 vier mesmo do núcleo, então os outros materiais ao seu redor também deverão ter a mesma origem das profundezas do planeta, oferecendo mais exemplos físicos do que está “escondido” no núcleo.

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Fonte: Nature