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NASA mostra distribuição de monóxido de carbono com queimadas no Brasil

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Victor Moriyama / Greenpeace
Victor Moriyama / Greenpeace

"Hey, @NASA, are you sure?", questionou um usuário do Twitter à agência espacial quando ela mostrou uma imagem de satélite com fumaças visíveis do espaço, provenientes das queimadas que vêm acontecendo na região amazônica. Sim, a NASA tem certeza do que está divulgando e, agora, a agência mostra uma animação em que vemos a distribuição do monóxido de carbono na atmosfera, proveniente desses incêndios.

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Segundo dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), somente em 2019 as queimadas na região amazônica já somam mais de 75 mil ocorrências, número mais de 80% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

A nova imagem que agora mostra a distribuição do monóxido de carbono resultante deste cenário foi obtida usando o instrumento AIRS (Atmospheric Infrared Sounder), que fica a bordo do satélite Aqua, monitorando a atmosfera em infravermelho. Ela é resultado de um mapeamento de duas semanas, entre os dias 8 e 22 de agosto, a uma altitude de 5.500 metros, mostrando a pluma de fumaça em expansão na região noroeste da Amazônia, que se direciona rumo ao sudeste brasileiro.

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Cada dia da série é feito calculando a média de três dias de medições, técnica usada para eliminar as lacunas de dados. A cor verde indica concentrações de monóxido de carbono em aproximadamente 100 partes por bilhão em volume (ppbv), enquanto o amarelo indica o mesmo em cerca de 120 ppbv, e o vermelho escuro com cerca de 160 ppbv. E os valores locais podem ser significativamente mais altos, diz a NASA.

As partes por bilhão em volume de unidade que foram usadas para indicar as concentrações do monóxido de carbono são o número de unidades de massa do contaminante em questão por 100 milhões de unidades de massa total (no caso, do ar). E vale ressaltar que este poluente em especial contribui para com as mudanças climáticas, além de poluir o ar que respiramos a grandes distâncias, e é capaz de permanecer na atmosfera por cerca de um mês até ser eliminado. E mesmo a substância tendo sido mapeada em altitudes elevadas, ventos fortes são capazes de trazê-la para baixo, o que afeta significativamente a qualidade do ar.

Greenpeace também se manifesta

Além de imagens da NASA, também podemos contar com o Greenpeace mostrando a situação, com uma série de fotos reais do que está acontecendo na região amazônica em 2019.

A entidade não-governamental atualiza os dados do INPE, afirmando que, de janeiro até o dia 20 de agosto, o número de queimadas na região foi na verdade 145% superior ao registrado no mesmo período de 2018. "As queimadas que estão devastando a Amazônia também estão destruindo a imagem do Brasil. Isso afeta nossa economia e pode agravar a crise econômica e o desemprego. Até mesmo setores do agronegócio já assumem que a política antiambiental do governo pode trazer prejuízos", afirmou Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace. O presidente do Brasil chegou a fazer um pronunciamento em rede nacional a respeito, mas o governo ainda não anunciou medidas concretas para combater o desmatamento.

O desmatamento na Amazônia piora ainda mais o ciclo de destruição anunciado pela crise climática que vem sendo tão abordada por cientistas e especialistas em meio-ambiente no mundo todo: afinal, quanto mais desmatamento e queimadas, maiores são as emissões de gases de efeito estufa e, quanto mais o planeta aquece, maior será a frequência de eventos externos afetando ainda mais as florestas, bem como a biodiversidade e a saúde humana, inclusive.

"É urgente e necessário colocarmos um fim nesse ciclo vicioso, enquanto ainda temos tempo. Durante um sobrevoo na região da BR-163 pudemos observar as consequências reais do desmonte da agenda ambiental brasileira: extensas áreas desmatadas, cercadas de fumaça, denunciando o avanço da agropecuária sobre a floresta", afirma Danicley Aguiar, da campanha Amazônia do Greenpeace.

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E se a Amazônia acabar?

Quem também abordou o assunto foi Leandro Tavares Azevedo Vieira, professor de ciências biológicas na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Ele afirma que "ao contrário de outros biomas brasileiros em que a vegetação evolui com a presença de queimadas naturais e, portanto, apresentam adaptações para resistir ao fogo, a Amazônia nunca passou por tantos períodos de queimadas em seus últimos milhares de anos", então não é aceitável o que está acontecendo, com a maior floresta tropical chuvosa do mundo queimando nessa intensidade, "pois as [queimadas] que ocorrem são todas de origem antrópica, ou seja, provocadas pelos seres humanos", acrescenta.

O professor afirma que se tratam de "queimadas intencionais e que aproveitam o período mais seco para degradar e abrir áreas para uma pecuária extensiva com baixíssima produtividade devido ao solo relativamente pobre", com o processo de desmatamento começando a partir da ação de madeireiros ilegais, que retiram dali as árvores mais valiosas, e depois promovem queimadas na época seca para "limpar" as áreas para a pecuária.

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E preservar a Amazônia é importante por uma série de razões. "Primeiramente, a sua biodiversidade é única e que deve ser considerada como um patrimônio natural. O potencial econômico e sustentável de espécies amazônicas com finalidades diversas como fármacos, cosméticos e alimentícios é enorme", fala o professor, que lembra da Lei da Biodiversidade de 2015, criada justamente pensando na proteção dos nossos recursos naturais.

Ainda, além da própria biodiversidade, a Amazônia tem papel importante como produtora de água. "Os conhecidos 'rios voadores', toneladas de vapor d'água que são evapotranspiradas pelas árvores e que chegam ao centro-oeste e ao sudeste, promovem as chuvas que abastecem os reservatórios hídricos e irrigam a agricultura", ele explica. Esses "rios voadores" transportam mais de 20 trilhões de litros por dia, o que é maior do que a vazão do próprio Rio Amazonas, por sinal. "Sem esse recurso hídrico, corremos o risco de termos nossas hidroelétricas desabastecidas e, consequentemente, um risco real de uma crise energética, já que essa é a nossa principal fonte de energia", explica o professor, reforçando que, caso isso aconteça, a solução para manter o abastecimento energético seria acionar as termoelétricas, que são altamente poluentes e excessivamente caras, além de tudo. E, além disso, "uma agricultura sem a água da Amazônia se reflete em um aumento dos custos e perdas de produção de alimento; assim, produção alimentar e preservação ambiental são complementares e nunca devem ser vistos como antagônicos", constata.

E agora voltando a falar da liberação de carbono na atmosfera: o desmatamento é a principal fonte de gases de efeito estufa no Brasil e, com a participação do Acordo de Paris no combate ao aquecimento global, nosso país havia se comprometido com o desmatamento zero, alcançando bons resultados nos últimos anos. Só que agora o Brasil deu dois passos para trás e as queimadas se intensificaram.

Para o professor, "é natural e legítima a pressão de outros países para a preservação da Amazônia, pois ela não é dos poucos que se enriquecem queimando-a e desmantando-a ilegalmente sem, inclusive, pagar imposto ou gerar renda ao Brasil: a Amazônia é de todos, é da humanidade". Ou seja: preservar seus recursos naturais é um investimento, não é algo que deve ser encarado como um gasto.

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O professor encerra sua reflexão dizendo que "não podemos depender de nossa criatividade tecnológica, pois até hoje não conseguimos substituir a função de uma árvore, quem dirá de um ecossistema tão complexo; a Amazônia é de extrema necessidade para a sobrevivência humana".

*Com informações de NASA