Inteligência Artificial com zero carbono é proposta de diretor de IA do Google

Por Fidel Forato | 17 de Dezembro de 2019 às 08h25
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Maior conferência de machine learning e Inteligência Artificial (IA) do mundo, a NeurIPS, trouxe mais de 13.000 pesquisadores para o Canadá. Profissionais que discutiram como a IA é capaz de resolver sérios problemas do mundo, inclusive os efeitos das mudanças climáticas na Terra, como comentou Jeff Dean, o diretor de Inteligência Artificial do Google.

Ao lado de Dean no Workshop sobre Combate às Mudanças Climáticas, estavam também Yoshua Bengio, diretor do MILA (entidade dedicada à pesquisa de soluções em machine learning) e professor da Universidade de Montreal; Andrew Ng, cofundador do Google Brain e fundador do Landing.ai, e Carla Gomes, professora da Universidade Cornell (EUA).

Do Google, Jeff Dean discute impacto da IA na mudança climática (Foto: Reprodução/ Voxxed)

IA com Zero Carbono

No discurso de abertura, Jeff Dean - que é cientista da computação e engenheiro de software - explicou que “podemos fazer com que a computação [incluindo a IA] seja Carbono Zero, para que não contribua para o problema.” Além disso, ele quer ela seja realmente “usada para aplicar e encontrar soluções para alguns dessas questões.”

Vale lembrar que a política de Carbono Zero já é aplicada por algumas empresas e funciona para neutralizar a emissão de gases do efeito estufa. Em outras palavras, os gases emitidos durante a produção ou um trabalho devem ser repostos com o plantio de árvores, por exemplo.

Dean também abordou sobre formas de despertar mudanças comportamentais com a tecnologia, como ajudar as pessoas a entenderem sua pegada de carbono. São necessárias “observações cuidadosas e educação do público para incorporar uma linguagem que deixe claro que isso é uma coisa real, iminente, não inventada”, defendeu o cientista da computação.

Tecnologia trazendo soluções

Após pergunta do público sobre o compartilhamento estimado de emissões de CO2 no Google Maps, Dean explicou que o Google está analisando incluir mais informações nos seus resultados de pesquisa para fornecer aos usuários uma estimativa de produção de carbono tanto para as rotas que traçarem, como ao fazerem uma determinada encomenda em um e-commerce, por exemplo.

Além do Google Maps, há outros projetos com machine learning, do Google, que têm potencial para causar impacto climático. É o caso do Project Sunroof que analisa o telhado de uma pessoa e os padrões climáticos locais, prevendo a economia total caso os moradores optem por instalar painéis solares.

Para impactar um maior número de pessoas, Carla Gomes, professora da Universidade Cornelll, recomenda o trabalho, em conjunto com outros players fora da comunidade de pesquisa. “Eu me preocupo com Ciência da Computação. Achamos que somos bons em tudo - apresentando soluções completamente irreais e que não fazem sentido em um domínio específico. Por isso, é importante conectar-se com os especialistas e criar uma rede”, defende.

A conversa do painel também abordou a importância de incluir as pessoas afetadas pelas mudanças climáticas na criação de soluções destinadas a combater esse impacto, como moradores de regiões que sofrem com inundações.

Project Sunroof estima economia gerada com uso de energia solar (Foto via Pixabay)

Na prática

Em junho deste ano, um grupo de pesquisadores, que inclui Carla Gomes, Yoshua Bengio e Andrew Ng, publicou um artigo sobre formas de combater o aquecimento global com IA.

Bastante abrangente, o documento explora desde aplicativos com machine learning para mudanças climáticas, como previsão de eventos climáticos extremos, como também o IA para tornar cidades e sistemas de transporte e eletricidade mais eficientes.

Os autores defendem que o artigo não se limite apenas aos profissionais da área de IA, mas que possa ampliar o debate e o apelo do tema, incluindo a participação de empresários, investidores e líderes empresariais e governamentais.

Após as falas, os organizadores da conferência NeurIPS disseram que podem tornar a prática de Carbono Zero como um dos critérios, no futuro, para a submissão de novos artigos.

Fonte: VentureBeat

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