Funcionários da Amazon atacam empresa por suas políticas climáticas

Por Claudio Yuge | 28 de Janeiro de 2020 às 10h33
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Não é de hoje que as gigantes do setor de tecnologia vêm sendo cobradas pelos consumidores e pelos próprios funcionários para se adequarem às novas tecnologias de energia sustentável e outras ações que diminuam o impacto de suas atividades nas mudanças climáticas globais. E uma das mais criticadas é a Amazon, que costuma ter um tratamento mais severo e restritivo, segundo os próprios colaboradores.

Descontentes, mais de 300 profissionais ligados à varejista online assinaram uma postagem no blog Medium com o nome de Funcionários da Amazon pela Justiça Climática (AECJ, na sigla em inglês). "O protesto é a maior ação dos funcionários desde que a Amazon começou a ameaçar demitir trabalhadores por falar sobre o papel da Amazon na crise climática", afirmou o AECJ.

“Como trabalhadores da Amazon, somos responsáveis não apenas pelo sucesso da empresa, mas também pelo seu impacto. É nossa responsabilidade moral se manifestar, e as mudanças na política de comunicações estão nos censurando de exercer essa responsabilidade", disse Sarah Tracy, engenheira de desenvolvimento de software da gigante varejista norte-americana.

Vale destacar que a Amazon, com um quadro de mais de 650 mil empregados mensais, tem política de comunicação interna que exige discrição quando se trata de discutir publicamente suas atividades — e mais ainda quando seus próprios assalariados as questionam abertamente. Portanto, há uma grande possibilidade dos envolvidos serem demitidos, em alguns casos, por justa causa.

Protestos não devem parar

No dia 19 de setembro do ano passado, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, prometeu que a companhia zeraria sua emissão de carbono até 2040. A AECJ disse que essa meta é insuficiente em relação aos esforços feitos em todo o setor, e que o objetivo ideal seria realizar isso até 2030.

Embora o meio ambiente e as mudanças climáticas tenham sido o foco de muitos dos posts no domingo (26), a Amazon também foi criticada por outras atividades, como o fornecimento de recursos de inteligência artificial para empresas do setor de petróleo. A companhia também é frequentemente criticada por seu alto consumo de energia em suas fazendas de servidores, que alimentam suas lucrativas atividades de computação em nuvem.

Imagem: Reprodução/AFP

Some a isso toda a rede de logística de transporte rodoviário para garantir entregas rápidas, que geram muitos gases causadores do efeito estufa, o principal culpado pelas mudanças climáticas. Então, enquanto a gigante não reduzir o impacto de todas essas frentes, ela continuará sendo alvo de protestos.

Bezos ainda não respondeu ao comunicado de domingo. Segundo conversas de bastidores, ele teria dito que “a Amazon incentiva os funcionários a se expressarem, mas internamente, através das várias plataformas disponíveis”.

Fonte: Financial Times  

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