Essas bactérias "comem" eletricidade e poderiam amenizar o aquecimento global

Por Natalie Rosa | Editado por Luciana Zaramela | 08 de Junho de 2021 às 22h00
Reprodução: Gerd Altmann/Pixabay

Cientistas da Universidade de Washington em St. Louis anunciaram em estudo, nesta semana, que bactérias que vivem em sedimentos de água salgada conseguem "comer" eletricidade, absorvendo e bloqueando o dióxido de carbono responsável pelo aquecimento do planeta. De acordo com Arpita Bose, professora de biologia e líder do estudo, essa habilidade, antes da descoberta, era limitada à água doce.

Atualmente, os oceanos de todo o mundo são capazes de absorver cerca de 25% dos do dióxido de carbono que é liberado na atmosfera quando acontece a queima de combustíveis fósseis. Então, essas bactérias comedoras de eletricidade, chamadas de fotoferrotróficas, aceleram esse processo tão essencial para amenizar o aquecimento global.

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"Bactérias fotoferrotróficas usam ferro solúvel como fonte de elétrons para a fotossíntese enquanto fixam o dióxido de carbono. Os ambientes marinhos são lugares ótimos para elas porque eles são ricos em muitas dos nutrientes que eles precisam", conta a pesquisadora, dizendo ainda que a exploração desse fenômeno pode resultar em uma ferramenta para combater as mudanças climáticas.

Imagem: Reprodução/bedneyimages/Freepik

A primeira vez em que uma bactéria fotoferrotrófica foi isolada por cientistas aconteceu na década de 1990, a partir de ecossistemas de água fresca. Até então, somente duas versões marinhas haviam sido descobertas, mas como é bastante difícil manter a bactéria viva em ambiente laboratorial, pesquisas passadas acabaram sendo prejudicadas. Nesse novo trabalho, Bose "caçou" e coletou a bactéria em regiões do estado do Massachusetts, nos Estados Unidos, e então a cientista e sua equipe isolaram 13 novas cepas de uma bactéria marinha fotoferrotrófica anaeróbia comum, chamada Rhodovulum sulfidophilum.

Eles descobriram que todas as cepas da bactéria eram capazes de fazer fotoferrotrofia e de consumir eletricidade. No laboratório, a bactéria coletou elétrons diretamente de uma fonte, e na natureza o processo é feito através da ferrugem e outros minerais ferrosos que são abundantes em sedimentos marinhos. Os pesquisadores ainda fizeram testes adicionais com uma das cepas para descobrir o caminho usado pelas bactérias para o consumo direto de elétrons, e a resposta parece estar em uma proteína desconhecida de transferência eletrônica. Para termos uma conclusão sobre esse processo, mais pesquisas ainda precisam ser realizadas.

Imagem: Reprodução/Marcin Jozwiak/Unsplash

Dinesh Gupta, co-autor do estudo e pesquisador da Universidade da Califórnia em Berkeley, explica que bactérias como a Rhodovulum sulfidophilum são amplamente distribuídas em ecossistemas marítimos. Este, inclusive, é o primeiro estudo a explorar a possibilidade de usar substâncias insolúveis ou em fase sólida como doadores de elétrons, e a investigar se esse processo pode estar conectado ao "sequestro" de carbono ou à fixação de dióxido de carbono nos oceanos.

O estudo completo está disponível para consulta na revista científica ISME

Fonte: Washington University in St. Louis

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