Estudo indica que bactérias podem sobreviver — e bastante! — no espaço

Por Danielle Cassita | 26 de Agosto de 2020 às 16h45
Flickr/EMSL

A panspermia é uma teoria que levanta a possibilidade de seres microscópicos migrarem pelo espaço e, assim, espalharem vida pelo universo. Agora, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Tóquio observou a sobrevivência de bactérias em aglomerados, o que levantou a possibilidade da existência da "panspermia em massa". O estudo foi publicado na revista Frontiers in Microbiology.

Akihiko Yamagishi, professor da Universidade de Tóquio e investigador principal da missão Tanpopo, junto da equipe da missão e outras instituições, realizou um experimento para testar como bactérias Deinococcus se sairiam sobrevivendo no espaço. Estes microrganismos são conhecidos por formar grandes colônias e serem resistentes às condições do ambiente, como à radiação UV. Assim, eles distribuíram as bactérias em painéis de exposição do lado externo da Estação Espacial Internacional (ISS). As amostras de diferentes espessuras foram expostas ao ambiente espacial por períodos que variaram de um a três anos.

Experimento foi realizado na instalação do módulo Kibo (Imagem:JAXA/NASA)

Depois de três anos, os pesquisadores observaram que os aglomerados de bactérias com espessura superior a 0,5 milímetros sobreviveram parcialmente às condições espaciais. Esses dados sugerem que, enquanto as bactérias na superfície dos aglomerados morreram, elas criaram uma espécie de camada protetora para aquelas que estavam mais abaixo para garantir a sobrevivência da colônia. Com estes dados, os pesquisadores estimam que um aglomerado com espessura maior do que 0,5 milímetros poderia sobreviver até 45 anos na ISS e, em ao extrapolar, é possível considerar que uma colônia de apenas 1 milímetro de diâmetro poderia sobreviver até oito anos em condições espaciais externas.

Para Yamagishi, a origem da vida na Terra é um dos mistérios mais intrigantes para a humanidade, e os cientistas costumam ter diferentes pontos de vista sobre essa questão. “Alguns acreditam que a vida é muito rara e ocorreu apenas uma vez no universo, enquanto outros consideram que a vida pode acontecer em qualquer planeta que tenha as condições necessárias", comenta. Assim, se a panspermia realmente for possível, a vida pode existir com muito mais frequência do que pensamos. Em um experimento anterior, Yamagishi e sua equipe encontraram essas mesmas bactérias a 12 km de altitude da superfície do nosso planeta.

Até o momento, este estudo trouxe a melhor estimativa da sobrevivência das bactérias no espaço. Outros experimentos já provaram que, se conseguirem se abrigar em rochas, esses microrganismos são capazes de sobreviver durante longos períodos no espaço. Entretanto, o estudo de Yamagishi é o primeiro feito a longo-prazo que levanta a possibilidade de as bactérias sobreviverem nestes aglomerados, o que indica um conceito que pode ser traduzido como “panspermia em massa”.

Fonte: SpaceDaily

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