Em tempos de coronavírus, como fica a situação da energia limpa?

Por Nathan Vieira | 10 de Julho de 2020 às 16h00
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O impacto econômico promovido pela pandemia acabou respingando nos projetos de energia renovável e nas vendas de veículos elétricos. De acordo com a Agência Internacional de Energia, pela primeira vez em 40 anos, a instalação global de energia solar, eólica e outras energias renováveis ​​está sendo menor que no ano anterior, com direito a uma redução de 13% nas instalações, de 2019 para 2020.

A Wood Mackenzie (também conhecida como WoodMac, um grupo global de consultoria e pesquisa em energia renovável) projeta uma redução de 18% para instalações solares globais em 2020. Enquanto isso, a Morgan Stanley (empresa global de serviços financeiros sediada em Nova York) está projetando declínios nas instalações fotovoltaicas dos EUA de 48% no segundo trimestre para 17% no quarto trimestre de 2020, por causa de uma combinação de atrasos na construção e restrições de capital.

 A instalação global de energia solar, eólica e outras energias renováveis ​​está sendo menor que no ano anterior (Imagem: Pexels)

As instalações serão retomadas, e a maioria dos contratos ainda está em vigor, mas o robusto crescimento projetado em energia fotovoltaica para 2020 não será atendido, e pode levar mais de um ano para recuperar o atraso, segundo a agência. Além disso, algumas empresas que planejaram instalações podem ter outras prioridades agora, e muitas das pequenas empresas que planejavam instalações solares podem não retornar.

Por outro lado, a agência aponta que e energia eólica e a solar são as alternativas mais baratas para a nova geração de eletricidade nos EUA, e a pandemia e o colapso dos preços do petróleo não mudarão isso. O fechamento de usinas de carvão está se acelerando este ano, e a energia eólica e solar continuarão competitivas.

Veículos elétricos

As vendas de veículos elétricos em todo o mundo também foram severamente impactadas. O preço do petróleo entrou em colapso, os preços dos carros usados ​​estão caindo e o desemprego subiu no país em questão. Segundo a análise da agência, gás barato, carros baratos e alto desemprego diminuem drasticamente as expectativas de vendas de veículos elétricos em 2020. A Wood Mackenzie estima um declínio global de 43% nas vendas de veículos elétricos em 2020 a partir de 2019. Além disso, muitos novos modelos elétricos das montadoras não são esperados até 2021. No entanto, a transição de longo prazo para os veículos elétricos continuará e poderá até acelerar.

Alguns especialistas apontam que 2019 pode vir a ser ano com o nível mais alto de consumo de petróleo historicamente, e que levará pelo menos alguns anos até que os níveis de 2019 sejam atingidos novamente, se é que isso acontecerá. Mas também existem pontos positivos para alternativas de transporte, como bicicletas elétricas, por exemplo. A análise aponta que as pessoas se interessam em se deslocar ao ar livre.

Pesquisas com consumidores indicaram um maior interesse em veículos elétricos (Imagem: Pexels)

Vários especialistas citaram o potencial para alternativas de energia mais limpa, porque o público está vendo um ar mais limpo e os benefícios ambientais de uma redução de 30% no consumo diário de petróleo. Algumas pesquisas com consumidores indicaram um maior interesse em veículos elétricos, mas também apontaram que trabalhadores e empresas precisam começar de novo com a infraestrutura que possuem, e o investimento em tecnologia mais limpa requer capital, o que leva a uma possibilidade de novas tecnologias limpas serem adiadas.

No entanto, segundo a análise desses especialistas, as principais mudanças na infraestrutura para um futuro sustentável estão bem encaminhadas, uma vez que a energia solar e a eólica estão substituindo rapidamente combustíveis fósseis por eletricidade, com a pandemia representando um obstáculo a curto prazo e a transição para uma economia sustentável atrasada, mas com possibilidade de ser acelerada nos próximos anos.

Fonte: TechCrunch

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