Como os cupins salvam as florestas tropicais em tempos de seca?

Como os cupins salvam as florestas tropicais em tempos de seca?

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 26 de Setembro de 2021 às 10h00
Roy Buri/Pixabay

Ao contrário do senso comum, os cupins não são pragas. Na verdade, eles desempenham um papel fundamental no ecossistema do qual fazem parte, como as florestas tropicais, especialmente em tempos de seca prolongada. Entre as mais de 2.800 espécies de cupins conhecidas no mundo — mais de 300 só no Brasil —, apenas 10% delas atuam como uma praga devoradora de madeira.

Em florestas tropicais, os cupins são tão abundantes quanto formigas ou minhocas, sendo os mais abundantes invertebrados desses ecossistemas. Por serem um das poucas criaturas capazes de quebrar a celulose, a maioria das espécies desempenha um importante papel na manutenção do solo, bem como na decomposição da matéria e no aumento da umidade.

Como os cupins trabalham?

(Imagem: Reprodução/Roy Buri/Pixabay)

Os cupins trabalham incansavelmente sobre e sob o solo das florestas tropicais de todo mundo. Embora sejam muitas vezes considerados pragas comuns, eles são os principais engenheiros de ecossistemas mais eficazes. Enquanto cavam túneis abaixo do solo e consomem a serrapilheira — camada formada pela deposição de restos de plantas, como folhas e galhos —, as comunidades de cupins se unem.

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Assim, elas mantêm e regulam as propriedades do solo, como nutrientes e umidade — ingredientes indispensáveis para a manutenção de uma floresta tropical. Além disso, os cupins transformam os restos de plantas e de madeira em partículas menores e, assim, fornece o material para que outros organismos se alimentem, como fungos e bactérias, decompondo ainda mais a matéria.

Dependência da umidade

Para entender melhor a relação dos cupins com a floresta tropical e, consequentemente, a manutenção da umidade nesse ecossistema em tempos de seca, o Canaltech conversou com o professor e doutor em produção vegetal, Vinicius Siqueira Gazal, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ele explicou que os cupins são altamente dependentes da umidade para a sobrevivência da colônia — algo em torno de 80%.

Nem todo cupim se alimenta, necessariamente, de madeira ou material de origem vegetal. Por exemplo, os cupins humívoros, conforme explica Gazal, decompõem as fezes de outros animais e, assim, disponibilizam uma parte da matéria orgânica e água para o solo. Já os rizófagos alimentam-se das raízes de plantas, enquanto os cupins de serrapilheira decompõem as folhas secas sobre o chão da floresta.

Toda essa dinâmica de decomposição produz um aumento na mistura de nutrientes do solo e na umidade, aumentando também as chances de pequenas mudas de plantas sobreviveram nessas áreas durante os períodos de seca.

Ninhos úmidos

(Imagem: Reprodução/twenty20photos/Envato)

Gazal explica que os cupins constroem túneis ou galerias de forrageamento para acessar suas fontes de alimento e em diversos locais. No solo, os ninhos contribuem diretamente com a porosidade, aeração e umidade — inclusive, aumentando a taxa de infiltração da água.

Nas árvores, eles abrem galerias na medula e no cerne delas (as camadas mais externas do tronco) e, ao consumirem esse material “danificado”, disponibilizam a umidade deles para o ambiente. O professor Gazal também acrescentou que a maioria dos cupins realiza a salivação sobre a fonte de alimento. “Salivação serve para favorecer a remoção do alimento e também para atrair outros companheiros de ninho para a fonte alimentar”, disse.

Além disso, os ninhos de algumas espécies de cupim podem ser uma fonte extra de nitrogênio. Segundo Gazal, alguns desses ninhos contêm bactérias fixadoras de nitrogênio. “Estas bactérias fixadoras de nitrogênio atmosférico, localizadas no interior desses ninhos, fixam o nitrogênio da atmosfera e o reduzem a amônia → nitrito → nitrato”, acrescentou. Com isso, uma parte do nitrato é absorvida pelas plantas e outra será incorporada ao solo.

Fonte: Com informações de AAAS

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