Review Age of Empires IV | Mais fácil para novatos e difícil para veteranos

Review Age of Empires IV | Mais fácil para novatos e difícil para veteranos

Por Wagner Wakka | Editado por Bruna Penilhas | 25 de Outubro de 2021 às 18h55
Divulgação/Microsoft

A franquia Age of Empires é um dos maiores nomes e referências quando o assunto é estratégia em tempo real (ou RTS, na sigla em inglês). Com mais de 20 anos de existência e três games principais, os títulos já passaram por muitas mudanças e testes de variadas jogabilidades. 

Age of Empires IV é a mais nova aventura da franquia, marcada para chegar em 28 de outubro para Windows PC, com disponibilidade no catálogo do Xbox Game Pass de computador já no lançamento. Tal qual um príncipe feudal, o jogo carrega toda sorte e dificuldade em sobressair diante do sucesso de seus antepassados. São cinco anos de desenvolvimento contra mais de 20 em polimento de estilo. O que levanta a pergunta: o que Age of Empires 4 pode trazer de bom que a franquia nunca tenha apresentado antes? 

A Relic Entertainment, empresa que liderou o desenvolvimento deste título, teve um grande desafio pela frente, mas também carrega uma boa experiência no assunto — ela é responsável por grandes nomes do gênero como Company of Heroes 2 e Warhammer 40.000. Contudo, Age of Empires 4 nasce como o neto de um astro, diante da sombra do sucesso de Age of Empires 2.

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Um leitor menos conhecedor da franquia pode se perguntar: por que não Age of Empires 3? O segundo game principal da série é, até hoje, o que tem a maior comunidade. Prova disso é que a Microsoft lançou duas DLCs recentes para Age 2 (a versão definitiva, lançada em 2019) e basicamente ignora a existência do terceiro título. 

Por conta disso, espere muitas comparações com o segundo game e poucas citações ao antecessor numérico de Age 4. Esta análise busca entender o quão longe a Relic puxou a corda da inovação, sem perder o elo com os amantes de Age 2

Prazer, Age of Empires

Um dos primeiros pontos notáveis deste quarto jogo principal da série é que muitos aspectos foram facilitados. Isso não quer dizer que o game seja menos desafiador, seja no combate com inteligência artificial (IA) ou na campanha. O resultado é um título até menos complexo em muitos pontos que no Age 2

Vamos começar pelos preceitos básicos. Via de regra, o jogador inicia o gameplay com alguns poucos aldeões, precisa coletar comida, madeira, pedra e ouro, para aumentar o número de trabalhadores e, eventualmente, montar um exército para atacar um inimigo. Ainda é necessário completar uma lista de requisitos para evoluir, passando de uma sociedade da Idade das Trevas, até uma da Era Imperial, capaz de construir castelos e catapultas para derrubar muros vizinhos. 

O que a Relic buscou foi tornar o jogo mais rápido e menos complexo neste sentido. O objetivo aqui é deixar o ambiente de Age 4 mais agradável para quem chega em uma comunidade de mais de 20 anos de experientes (e exigentes) jogadores. Com isso, um novato pode se encontrar mais fácil, sem precisar entender minúcias, vislumbrando um ambiente bem menos hostil de entrada. Junto disso, a média de tempo dos combates também diminuiu, derrubando para 30 minutos uma partida que poderia facilmente durar mais de uma hora. 

Batalhas tendem a ser mais rápidas em Age of Empires 4 (Imagem: Captura de tela/Wagner Wakka/Canaltech)

Para o jogador que quer entrar solo no universo de Age 4, o game oferece algumas boas ferramentas de aprendizagem, com dois modos distintos. O primeiro são as campanhas, no qual há uma história para acompanhar. O jogador pode viver quatro narrativas em diferentes épocas, o que inclui, por exemplo, comandar algumas das batalhas da Guerra dos Cem Anos com os franceses e acompanhar as batalhas da formação de Moscou e do Império Russo com a civilização Rus. 

A primeira novidade deste modo está na mescla de imagens reais de ambientes históricos com os gráficos do jogo. Ou seja, na batalha do cerco a Paris, há vídeos do local atual da cidade onde aconteceu a batalha, mesclado com animação do game. Trata-se de uma mera mudança estética, mas que traz um ar de autoridade para campanha, simulando quase que um programa do History Channel antes de cada fase. O ponto central, contudo, é colocar o jogador a par das principais técnicas e singularidades de algumas civilizações. Vale notar que o jogo traz oito diferentes comunidades com as quais se pode jogar, mas a campanha abraça apenas metade delas. 

Jogo coloca imagens reais dos locais onde as batalhas aconteceram (Imagem: Captura de tela/Wagner Wakka/Canaltech)

Este modo é uma forma bem guiada de levar o jogador a entender os conceitos básicos e as mudanças de Age 4. Por exemplo, uma das fases iniciais mostra como os arqueiros dos mongóis podem colocar estacas no chão para se proteger da investida de cavaleiros. Em outra, é possível notar que arqueiros são capazes de criar armas de cerco no campo de batalha para derrubar muros. Ambos são recursos inéditos do game.  

A campanha começa em um modo tutorial, tornando-se mais complexa no decorrer da jogatina. Com isso, o modo culmina em uma série de desafios interessantes mais perto do fim. O jogador vai precisar enfrentar situações como ter apenas algumas dezenas de soldados para segurar uma região a ser invadida. Ou aprender a usar um pelotão específico para vencer o exército inimigo que chega por diversos lados. Nada que destoe muito das campanhas dos dois jogos anteriores, mas Age of Empire 4 traz um bom polimento e divertidos desafios (principalmente quando o nível da IA é aumentado). 

O outro modo de jogo exclusivamente solo é a Arte da Guerra. Esta foi uma inclusão de Age 2, voltada a fazer um “intensivão” com quem quer aprender desde o básico até os pontos mais complexos sem precisar passar pela campanha. A modalidade é focada em colocar o jogador em par para entrar no multiplayer ranqueado, com aulas sobre técnicas amplas do jogo. A ideia é ensinar a pessoa como ser mais eficiente possível — afinal, Age of Empires é tanto um jogo de velocidade quanto de estratégia. Quem jogou (e fez a Arte da Guerra) em Age 2, vai perceber a réplica da fórmula aqui, mas com as especificidades do gameplay de Age 4

Arte da guerra ajuda jogador a aprender o game mais rápido (Imagem: Captura de tela/Wagner Wakka/Canaltech)

Para os veteranos

O terceiro modo de jogo é o multiplayer. Aqui, ainda é possível entrar sozinho, em combate com a IA, mas é preciso ter em mente que são confrontos em, no mínimo, duas civilizações. Será no multiplayer que um jogador mais experiente vai perceber as mudanças mais drásticas em qualidade de vida. Age 4 traz boas novidades, mas que podem confundir quem parte de Age 2 para cá. 

A maior diferença é que as civilizações neste novo jogo são assimétricas. A grosso modo, isso quer dizer que elas são mais distintas entre si do que acontecia em Age 2. No título mais famoso da série, há uma base bem consolidada de opções para o exército. A tríade básica é: cavaleiros são bons contra arqueiros, os quais rebatem bem infantaria a pé, cujos lanceiros matam cavaleiros com facilidade.

Em Age 2, toda sociedade (com pequenas variações) se mantém com quase as mesmas opções de exércitos. O que varia em profundidade são as qualidades destes integrantes e a unidade especial geralmente criada somente nos castelos.

Unidades por vezes, se confundem no mapa (Imagem: Captura de tela/Wagner Wakka/Canaltech)

Essa simetria de opções não acontece em Age of Empires IV. As oito civilizações têm especificidades bem maiores, que mudam até de nome em diferentes sociedades. Ainda é possível identificar o que é um lanceiro, um arqueiro ou um cavaleiro, com mais variações para a versão antiga do game. Assim, se antes era fácil entrar com uma nova civilização no campo da batalha e desempenhar bem, desta vez o jogador precisa se dedicar mais para entender as minúcias de cada sociedade, economia e exército propostos. A boa notícia é que é mais desafiador, mas a ruim é que toda experiência de Age 2 parece não ser tão aproveitada.

Isso também se aprofunda com a mudança para passar de era. O segundo jogo da franquia coloca os mesmos requisitos para quase todas as civilizações evoluírem. Esta nova versão adiciona os marcos, construções exclusivas de cada civilização, as quais oferecem aprimoramentos de ataque, defesa e até economia. A cada evolução de era, o jogador precisa fazer uma escolha entre duas opções de marcos, montando uma estratégia mais agressiva ou defensiva na partida. A novidade é bem-vinda, pois coloca mais um tempero para variar este tão rígido formato da franquia. 

Pequenas mudanças

Age 4 traz outras novidades que aprimoram a experiência. A principal delas é sobre como o jogo encara as muralhas de pedra. Agora, é possível colocar infantaria e arqueiros nos vãos em cima dos muros, o que torna as defesas bem mais resistentes à investida do exército inimigo. O ritmo de jogo acaba sendo o seguinte: caso o jogador construa boas defesas, murando seus arredores, dificilmente será invadido, já que a infantaria não deve conseguir derrubar a proteção em pedra. 

Em contrapartida, todas as construções são bem mais fáceis de derrubar com catapultas, aríetes e outras engenhocas. Na Idade dos Castelos, o jogador pode fazer pesquisas de armas de cerco bastante eficientes contra muros e edifícios. Trata-se da ideia de que, se o game já se estendeu por uns 30 minutos, está na hora de acabar. A Relic quer que o jogo também não acabe logo no início e permite que os artesãos (unidades civis) sejam mais agressivos contra os militares. Assim, o jogador fica menos aberto a invasões logo no início da partida. 

Defesas podem ser colocadas em cima dos muros (Imagem: Captura de tela/Wagner Wakka/Canaltech)

Outra mudança bastante profunda está na colisão de objetos. Para melhorar a vida dos novatos (até dos veteranos), os artesãos de um mesmo time “se atravessam”. Ou seja, o jogador pode colocar dezenas deles em um mesmo espaço sem se preocupar que um personagem possa atrapalhar o outro. Agora, as unidades também conseguem passar pelas construções. Esta é uma vantagem ofensiva, já que o jogador não precisa se preocupar se está interrompendo a passagem do seu exército com prédios. Por outro lado, as construções eram mecanismos eficientes de defesa. Uma estratégia comum de jogadores no multiplayer é fazer barricadas com as próprias casas e construções militares, conseguindo economizar a madeira que seria investida em paliçadas. 

Por fim, também é bem mais fácil de levantar a sua economia. Primeiro porque alguns prédios e habilidades especiais de diferentes civilizações oferecem melhorias para se conseguir recursos. Em um teste simples, na comparação com Age 2, é possível ver que menos trabalhadores oferecem uma economia mais rápida em Age 4, enquanto na versão antiga, um jogador pode necessitar de 30 aldeões em cada recurso (pelo menos). Agora, esse número pode cair para 20, facilmente. Por isso, toda partida se inicia já com seis aldeões criados, o dobro de Age 2.

Todas as características reforçam a ideia de que a Relic quer que o jogo não termine muito rápido, mas também não ultrapasse muito depois que todos já organizaram seus exércitos. 

Aríetes e manganelas são mais fortes nesta versão (Imagem: Captura de tela/Wagner Wakka/Canaltech)

Aspectos técnicos

Um ponto incrível de Age of Empires 4 está na evolução sonora, um ponto bastante importante para se encontrar no mapa do jogo. Os sons de batalha, tiros e até a movimentação dos personagens estão muito mais requintados e realistas que na versão antiga. Diferente do game anterior, que apenas emitia um aviso sonoro quando você estava sendo atacado, Age 4 modifica completamente o tom da música. Isso coloca o jogador dentro de um clima real de confronto, adrenalina e medo. 

Quanto aos gráficos, isso pode ser um ponto polêmico no título. Age 4 está efetivamente mais bonito (o que é esperado de um título mais recente). Há uma quantidade bastante grande de detalhes, com construções bem complexas. Por um lado, o lançamento é visualmente bem mais interessante e possui animações mais variadas do que Age 2. Contudo, a simplicidade do título mais antigo era também uma ferramenta útil para ajudar o jogador a se localizar no mapa. 

Veja bem, em uma partida convencional, cada pessoa pode criar até 200 unidades e construções. Tudo isso fica entre árvores, riachos, animais em distintos terrenos. A simplicidade de Age 2 colabora para uma visão mais clara do todo e, ainda assim, há mods para reduzir detalhes para quem joga as ranqueadas. As melhorias gráficas são obviamente bem-vindas, mas tornam o game pesado e com muitos objetos na tela. Isso faz com que a câmera não possa exatamente ser tão distante, o que atrapalha o gerenciamento de tropas. 

Com construções e riquezas de detalhes, por vezes é difícil se encontrar no mapa (Imagem: Captura de tela/Wagner Wakka/Canaltech)

Valeu a pena a novidade? 

O resultado destas caraterísticas é que Age of Empires 4 é um game que busca se distanciar bastante da fórmula de Age 2, mantendo ainda uma boa base do game antigo — o que é muito bom, visto que se fosse para refazer o segundo jogo com gráficos melhores, era melhor não trabalhar em uma sequência. 

O novo game da franquia de estratégia traz novidades suficientes para justificá-lo como um game inédito. A Relic fez ajustes para tentar levar mais jogadores a entrar no estilo, criando um ambiente mais simples e um jogo mais veloz do que os antecessores. Há ainda uma campanha que funciona muito bem, com narrativas reais e interessantes de pontos memoráveis da história antiga mundial.

Contudo, Age 4 ainda precisa de mais polimento para conseguir abraçar os jogadores de ranqueadas que esmiúçam cada recurso de Age 2 e criaram suas estratégias de jogo. Há algumas adições de melhorias de vida (como um mapa só das unidades militares) que faltam para elevar o jogo a um nível mais competitivo. Se ele conseguirá destronar seu avô no reinado da franquia, só o tempo dirá.

O Canaltech testou Age of Empires 4 por meio de uma cópia digital gentilmente cedida pela Microsoft

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