Epic Games enfim disponibiliza Fortnite para download na Play Store

Por Rafael Arbulu | 22 de Abril de 2020 às 12h52
Epic Games

Demorou cerca de 18 meses, mas a Epic Games enfim disponibilizou Fortnite dentro da Play Store, efetivamente abandonando sua antiga prática de permitir o download de um dos maiores jogos do gênero battle royale somente pelo seu site oficial. A notícia, embora possa agradar os usuários do Android, não vem sem reclamações da publisher.

Em um comunicado que serve ao mesmo tempo como divulgação da ação e uma peça crítica ao Google, a Epic diz que a empresa de Mountain View cria um ambiente nocivo a desenvolvedores “terceirizados” (aqui, no sentido de profissionais que escolham oferecer seus apps fora da Play Store), constantemente rotulando aplicações que sigam essa premissa como inseguros ou enviando ao usuário alertas invasivos de segurança sobre brechas que sequer existem.

Enfim, Fortnite chega à Play Store, sendo agora oficialmente distribuído pela loja de aplicativos do Android (Captura de Imagem: Rafael Arbulu/Canaltech)

“Depois de 18 meses de operação fora da Google Play Store, nós chegamos a uma conclusão básica”, diz o comunicado da Epic. “O Google deixa em desvantagem os softwares baixáveis por fora da Play Store, através de medidas técnicas e de negócio como pop-ups assustadores e repetitivos para aplicações baixadas e atualizadas, acordos restritivos entre fabricantes e operadoras de telefonia, o departamento de relações públicas do próprio Google caracterizando softwares terceirizados como malwares, a fim de simplesmente bloquear o uso de apps obtidos por fora da Play Store”.

A entrada de Fortnite na loja virtual do Google implica a Epic Games pagar uma taxa de 30% inerente à publicação do aplicativo e sua distribuição por meio de um canal oficial do Android. Anteriormente, a empresa havia deliberadamente escolhido não seguir esse caminho, evitando a referida taxa e distribuindo a versão mobile do jogo apenas pelo seu site oficial.

No que tange aos alertas, há um fundo de verdade no que a Epic diz, haja vista que qualquer aplicativo baixado por meios alheios à Play Store rendem alertas de segurança emitidos pelo próprio Android: o sistema operacional, por padrão, bloqueia qualquer instalação terceirizada. É perfeitamente possível desabilitar isso nos ajustes do sistema, mas, por mais simples que seja o processo, nem todo usuário sabe como executá-lo.

A briga da Epic com o Google (e, por extensão, a Apple, que tem a mesma prática no iOS) já é longeva. Em agosto de 2018, quando lançou o site próprio para download do app de Fortnite para Android, o CEO da publisher, Tim Sweeney, disse: “A taxa de 30% da loja é um custo muito alto em um mundo onde os 70% rendidos aos desenvolvedores devem cobrir todos os custos relacionados ao desenvolvimento, operação e suporte de seus jogos. [Esse valor de] 30% é desproporcional em relação ao custo dos serviços executados por essas lojas, tais como processamento de pagamentos, banda larga para download e serviços de atendimento ao consumidor”.

Em dezembro de 2019, a Epic Games tentou buscar a isenção de tais taxas, alegando na Justiça que elas se tratam de uma cobrança ilegal para plataformas que superem os 50% de participação global no mercado, como é o caso do Android (74,13% em dezembro de 2019, segundo o Statista). No caso da Apple, a Epic vem pagando as taxas religiosamente, alegando que o iOS detém um percentual inferior ao citado (novamente citando o Statista: 24,79% no mesmo período). Como podemos ver, a ação não foi favorável à publisher.

“Nós esperamos que o Google revise suas políticas e negócios em um futuro próximo, a fim de que todos os desenvolvedores sejam livres para atingir e engajar comércio com os seus consumidores por meio do Android e a Play Store em serviços abertos, incluindo pagamentos, competindo assim em um campo igualitário”, finaliza o comentário.

Fonte: The Verge; Fortnite (via Play Store); Statista

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