Falha no kernel permite que iOS 13.5 ganhe jailbreak “em breve”, afirmam hackers

Por Rafael Arbulu | 21 de Maio de 2020 às 16h00
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O unc0ver Team, o coletivo hacker que promove e atualiza as versões de jailbreak de smartphones, tablets e laptops da Apple, anunciou pelo seu perfil oficial no Twitter que uma nova falha dia zero encontrada no kernel da versão 13.5 do iOS permitirá que aparelhos que já tenham instalado a nova firmware poderão ser destravados “muito em breve”, embora o time não tenha se comprometido com uma data exata.

Traduzindo para os leigos: se você atualizou seu iPhone travado pela Apple recentemente, logo poderá destravá-lo. “Jailbreak”, para os não iniciados, é o termo usado para remover artificialmente as travas de sistema implementadas pela fabricante em todos os seus dispositivos — desde o iPhone até o Macbook.

Segundo o unc0ver, a nova vulnerabilidade pode ser aproveitada “em todas as versões assinadas do iOS, em qualquer dispositivo”. Basicamente, isso significa que os recentes iPhone 11, iPhone SE e o novo iPad Pro poderão ser liberados mesmo que já estejam rodando a versão 13.5 de seus respectivos sistemas operacionais. Essa falha foi descoberta por Pwn20wnd, um velho conhecido hacker dos entusiastas do jailbreak.

Ainda não foi informada a ferramenta pela qual essa liberação será conduzida, porém. A unc0ver Tool, atualmente em sua quinta versão, tem o consenso de ser a mais evoluída, já que pode ser executada em qualquer sistema operacional (macOs, Windows ou Linux), ao passo que outras, como a checkra1n, rodam apenas em computadores da Apple. Além disso, a checkra1n só funciona com dispositivos que tenham o processador A11 (iPhone 8 e iPhone X). Os modelos mais recentes, como os já citados iPhone SE (2020) e iPhone 11, rodam no chip A13 e A13 Bionic, respectivamente.

Mas é pirataria?

Sim e não. A explicação é um pouco mais detalhada que isso, mas, em termos diretos, “fazer o jailbreak” não é ilegal nem necessariamente sinônimo de pirataria.

Veja bem: o grupo responsável por manter, promover e atualizar o jailbreak se define veementemente contrário à pirataria de software, tanto é que eles não modificam códigos de aplicações da Apple — as ferramentas de destravamento exploram falhas de segurança que já vêm com o iOS de fábrica. O grupo, inclusive, não vende suas ferramentas, mas as disponibiliza de graça.

O jailbreak em si não é ilegal, mas é usado como caminho para várias ilegalidades (Imagem: Reprodução/Macworld)

Esse é um ponto importante, haja vista que pesquisadores de segurança, por exemplo, usam as ferramentas de jailbreak para avaliar a integridade de um sistema operacional, procurar e encontrar bugs para relatá-los de volta à fabricante e aprimorar suas técnicas de invasão e quebra de proteção justamente para que as empresas por trás de, digamos, um smartphone, possam olhar para suas descobertas e aprimorar seus produtos.

Tudo isso, vale citar, é protegido por lei nos Estados Unidos: o Digital Millennium Copyright Act (ou simplesmente “DMCA”, a mesma que você às vezes vê quando um vídeo é derrubado do YouTube) é a norma legislativa que assegura a continuidade da comunidade jailbreak.

Isso dito, a Apple condena publicamente a prática do jailbreak já que, mesmo diante de tanta gente fazendo bom uso do recurso, há quem o leve para o "mal": destravar um iPhone significa soltá-lo de amarras impostas pela fabricante, o que para muita gente é o mesmo que “rodar software pirata”.

Fonte: unc0ver Team  

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