Zuckerberg teme que outros países imitem a China na regulamentação da internet

Por Felipe Ribeiro | 19 de Maio de 2020 às 12h42
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Como se não bastassem os inúmeros problemas em que o Facebook está envolvido, como casos de segurança e vazamento de dados, Mark Zuckerberg, CEO da empresa, parece estar preocupado com o modo como os países irão controlar o acesso à internet e regulamentá-la daqui para frente. Em um papo com o comissário de indústria da União Europeia, Thierry Breton, o executivo disse temer que as nações adotem medidas semelhantes às impostas pela China.

"Para ser franco, acho que existe um modelo de países como a China que tendem a ter valores muito diferentes dos países ocidentais que são mais democráticos", disse Zuckerberg. O CEO do Facebook acrescentou que cabia aos países democráticos ocidentais ter uma estrutura clara para a privacidade dos dados. Temos uma responsabilidade conjunta em ajudar a desenvolver isso", completou.

Na mesma linha, Zuckerberg elogiou o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) da União Europeia, que implementou mudanças na maneira como o Facebook, Twitter, Google e outras empresas coletam dados de usuários na região. Ele disse que acredita que a cooperação entre plataformas tecnológicas e reguladores do governo é inevitável. "Eu não acho que haja uma dúvida de que haverá regulamentação. Acho que a pergunta é: qual estrutura vencerá em todo o mundo?", indagou o executivo.

Já Breton, que criticou o Facebook, disse que trabalhar em conjunto seria fundamental para os dois lados. "Acho que isso é extremamente importante, é nossa capacidade de trabalhar juntos para projetarmos as ferramentas e os comportamentos corretos do governo. Devemos entender isso, especialmente para o mercado digital. E mais do que isso, para a sociedade da informação em geral", comentou ele.

Ao final do papo, Zuckerberg fez questão de ressaltar algumas das ações que o Facebook tem tomado para combater as fake news e demais publicações nocivas relacionadas ao novo coronavírus (Sars-CoV-2). Além de aumentar a fiscalização e já ter emitido mais de 50 milhões de avisos sobre este tipo de conteúdo na rede social, o CEO fez questão de lembrar da criação de um conselho de supervisão, que terá poderes para vetar decisões sobre o comportamento e gestão da empresa.

Não é de hoje

Não é de hoje que o Facebook e Zuckerberg demonstram preocupação com o modelo chinês de regulamentação da internet. No ano passado, o executivo fez comentários semelhantes, dizendo que era importante não deixar que a China estabelecesse as regras para o resto da rede. Essa declaração acabou gerando um certo desconforto com os funcionários de origem chinesa da companhia.

O Facebook espera que a mensagem de liberdade de expressão faça com que os reguladores vejam a empresa como uma aliada contra uma internet mais autoritária em vez de um alvo para uma regulamentação mais rigorosa e invasiva.

Fonte: The Verge

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