Vivaldi, Proton e DuckDuckGo pedem fim da publicidade direcionada na internet

Por Igor Almenara | Editado por Douglas Ciriaco | 08 de Julho de 2021 às 16h56
Reprodução/Forbrukerrådet

Companhias com produtos e serviços focados em privacidade, incluindo DuckDuckGo, Vivaldi e Proton Technologies (dona do Protonmail e ProtonVPN) se uniram em uma carta aberta que demanda a implementação de leis para proteger consumidores de práticas que violam sua privacidade. A mensagem é endereçada a órgãos reguladores dos Estados Unidos, Europa e Austrália.

As companhias pedem pelo fim do direcionamento de propagandas “baseadas em vigilância”. A carta, enviada nesta quarta-feira (7), chama a atenção das autoridades para práticas de monetização de anúncios supostamente nocivas para a privacidade dos usuários.

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“No modelo de anúncios baseados em monitoramento, poucos atores obtêm vantagens competitivas na coleta de dados de navegação em sites e serviços, e as plataformas dominantes podem aproveitar suas posições para dar preferência aos próprios sites”, diz um trecho da carta. “Essas práticas prejudicam seriamente a concorrência e tiram receita dos criadores de conteúdo”, completa.

Campanha pede que autoridades internacionais elaborem leis que protejam usuários do monitoramento para publicidade (Imagem: Reprodução/Vivaldi)

A indústria de anúncios não seria a vilã, mas, sim, a forma que ela opera, defende o texto. Propagandas são uma parte importante da renda de criadores de conteúdo, mas o benefício financeiro “não deveria justificar o extenso sistema de monitoramento comercial” criado para direcionar propagandas para as pessoas certas, segundo o manifesto.

“Há outras tecnologias para publicidade que não precisam espionar os consumidores, e os modelos alternativos podem ser implementados sem grande impacto em receita”, defende o texto. “Nós encorajamos vocês [reguladores] a tomar uma posição e proibir a publicidade baseada em vigilância”, finaliza.

Pedido internacional por intervenção

O texto reforça um relatório publicado pelo Conselho de Consumidores da Noruega (NCC), que pediu a proibição de anúncios baseados em interesses. No texto, o assessor de comunicação do grupo, Øyvind H. Kaldestad, tenta demonstrar como “entidades obscuras virtualmente desconhecidas dos consumidores” recebem seus dados pessoais toda vez que você usa o celular.

Intitulado “Fora de controle”, o relatório elaborado pela empresa de segurança cibernética Mnemonic descobriu que dez aplicativos analisados, incluindo o app de relacionamentos Grindr e a ferramenta de monitoramento de ciclos menstruais Clue, compartilhavam dados dos seus usuários com outras 135 entidades envolvidas em publicidade e elaboração de perfis de interesses. Nove deles enviaram informações também ao Facebook, enquanto oito colaboraram com o serviço de anúncios do Google, o DoubleClick.

Após o resultado, a NCC se uniu a outras organizações que demandavam às autoridades europeias a promulgação da Lei de Serviços Digitais (DAS, na sigla em inglês). Esse mesmo grupo pede também que legisladores norte-americanos elaborem proteções semelhantes.

Fonte: Vice, Vivaldi, Forbrukerradet, Rappler

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