Spam completa 40 anos; confira a história e fatos curiosos sobre a prática

Por Ramon de Souza | 03 de Maio de 2018 às 09h19
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A regra é simples: se você possui um endereço de e-mail, você já recebeu um spam. Talvez ele estivesse querendo te vender uns “remédios” suspeitos, ou até mesmo te convencer a entrar em uma rede social “diferenciada”. Mas a certeza é uma só: todo e qualquer usuário da internet, mais cedo ou mais tarde, vai receber mensagens não-solicitadas de uma fonte desconhecida. E, acredite ou não, tudo começou há 40 anos, no dia 3 de maio de 1978.

Nessa data, o marqueteiro norte-americano Gary Thuerk, que na época trabalhava para uma empresa de computadores, resolveu disparar um material de divulgação sobre sua nova linha de equipamentos para 393 clientes em potencial através da Advanced Research Projects Agency Network (ARPANET), uma versão pré-histórica da internet. O ato impensado rendeu lucros razoáveis aos chefes de Gary, mas, por outro lado, marcou o nascimento de uma prática que até hoje inferniza a vida de muitas pessoas.

Aos poucos, o spam começou a se popularizar em salas de bate-papo — não com intuito comercial, mas apenas para irritar a paciência alheia mesmo. Internautas tinham o costume de entrar em conversas e “spammar” a tela para impedir que os outros acompanhassem as mensagens mais antigas. Em março de 1993, um azarado identificado como Joel Furr postou acidentalmente a mesma mensagem 200 vezes em um chatroom, o que chegou a congelar os computadores de alguns usuários.

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Ninguém merece tanto spam (Imagem: Markeninja)

Mas o spam como conhecemos hoje só virou moda mesmo depois de 1994, quando uma dupla de advogados começou a disparar mensagens publicitárias para seus clientes — imigrantes ilegais que poderiam conseguir o visto permanente nos EUA. Quatro anos depois, enviar e receber spam já havia se tornado algo tão comum que até mesmo o Dicionário de Oxford, referência da língua inglesa, resolveu adicionar o termo em seu vocabulário, definindo-o como “mensagens irrelevantes ou não-solicitadas enviadas através da internet, tipicamente para um grande número de usuários, para propósitos de publicidade, phishing, distribuição de malware etc.”.

De onde surgiu esse nome?

Ninguém sabe ao certo como surgiu o termo spam, mas a teoria mais aceita defende que ele derivou do alimento homônimo que fez sucesso no Reino Unido depois da Segunda Guerra Mundial. Produzido pela Hormel Foods, a carne enlatada foi a saída do país para alimentar a classe média depois do conflito mundial, visto que ela era barata e pouco perecível, facilitando o estoque de grandes quantidades. Obviamente, naquela época, britânico algum aguentava comer spam o tempo todo.

Há, inclusive, um episódio do seriado cômico Monty Python’s Flying Circus que trata justamente de tal problema. No esquete, os personagens vão parar em um restaurante em que todos os pratos levam spam — e, para piorar a vida da protagonista (que rejeita tal ingrediente), um grupo de vikings ainda atrapalha o diálogo cantando “Spam! Amável spam! Maravilhoso spam!” ao fundo. Tal produção retratou exatamente a visão do alimento intragável e enjoativo.

Foi baseado nesse conceito que, nas chatrooms, enviar mensagens bobas, sem sentido e em grande volume passou a ser descrito como spam, em “homenagem” aos irritantes vikings em questão. Porém, caso você considere essa história muito difícil de decorar, você também pode dizer que spam é uma sigla para “Stupid Pointless Annoying Messages” (“Mensagens Estúpidas, Irritantes e Sem Sentido”) ou “Sending and Posting Advertisement in Mass” (“Enviar e Publicar Publicidade em Massa”). Essas versões também são amplamente aceitas.

Números assustadores

Hoje em dia, estima-se que ao menos 85,23% dos e-mails trocados diariamente são spam, sendo que a maior parte deles se enquadra nas categorias “saúde”, “adulto”, “tecnologia”, “finanças pessoais” e “educação”. Felizmente, só 2% do spam global contém malwares e outros scripts maliciosos — o que não torna os e-mails menos chatos e irritantes, venhamos e convenhamos.

A situação vem piorando desde 2003, quando botnets (redes de computadores escravizados) passaram a ser utilizadas para realizar disparos. Embora os EUA tenham apresentado uma legislação no mesmo ano obrigando que mensagens não-solicitadas acompanhem um link pelo qual o destinatário possa se desinscrever (CAN-SPAM), isso não resolveu muito a questão.

O legítimo spam (Imagem: The Week)

Aliás, atualmente, o “rei do spam” são os Estados Unidos, seguidos pela China, Rússia e Ucrânia. O Brasil, felizmente, se encontra em sétimo lugar na lista atualizada do site Spamhaus; há alguns anos, nosso país disparou para o topo do ranking, tendo gerado nada menos do que 7,7 trilhões de mensagens não-solicitadas em 2009.

Fonte: Forbes

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