Senador dos EUA propõe lei que proíbe YouTube de recomendar vídeos infantis

Por Thaís Augusto | 06 de Junho de 2019 às 15h03
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Depois que uma reportagem do New York Times revelou que o sistema de recomendações do YouTube vem sugerindo vídeos de "crianças pré-adolescentes e parcialmente vestidas" para usuários que assistiram a conteúdo com temas sexuais, o senador republicano Josh Hawley propôs uma legislação que proíbe o YouTube de recomendar vídeos com menores de idade.

A proposta de Hawley também atingiria outros sites de hospedagem de vídeo. Os conteúdos com menores de idade ainda poderiam ser encontrados nos resultados de pesquisa. Fugiriam da legislação os vídeos que "têm menores em segundo plano". Além disso, "vídeos produzidos profissionalmente, como competições de show de talentos no horário nobre" também estariam isentos da regra.

Ainda assim, a proposta do senador enfrenta alguns problemas, como a dificuldade em se definir quando um vídeo apresenta menores de idade. Também pode ser complicado rotular um vídeo "produzido profissionalmente" quando conteúdos amadores do YouTube têm um alto valor e qualidade de produção.

Procurado para comentar, a Google, disse que o YouTube é uma empresa formada por pais e famílias. "Sempre faremos tudo o que pudermos para impedir o uso de nossa plataforma que tente explorar ou colocar em risco menores de idade. Crianças e famílias merecem a melhor proteção que temos para oferecer: estamos comprometidos em investir nas equipes e na tecnologia para garantir que eles recebam isso".

Na segunda-feira (6), o YouTube anunciou que não vai mais permitir que crianças iniciem transmissões ao vivo sem a autorização dos pais. A medida é um dos esforços da plataforma para impedir a interação entre adultos mal intencionados e crianças.

Algoritmos polêmicos

O YouTube também enfrentou críticas no início deste ano, quando foi descoberto uma rede de pedofilia que atuava na plataforma. Os pedófilos usavam a seção de comentários em vídeos com crianças para se conectar e trocar contatos. O escândalo fez com que anunciantes retirassem propagandas de vídeos e levou o YouTube a retirar mais de 150 mil vídeos do ar, além de desativar os comentários em milhões de vídeos numa tentativa de anular a atividade.

Apesar do movimento do YouTube, as medidas não foram suficientes para lidar com o problema. Como explicado pelo The New York Times, o algoritmo da plataforma pode levar os usuários de vídeos eróticos a vídeos com mulheres e até mesmo vídeos de meninas menores de 10 anos usando roupas de banho.

Além disso, o YouTube vem sendo apontado como um fator contribuinte para a disseminação de notícias falsas e vídeos da teoria da conspiração. No início deste ano, por exemplo, buscas pela Suprema Corte de Justiça levavam os usuários a um falso conteúdo da teoria da conspiração. Em janeiro, a plataforma disse que iria parar de recomendar esses vídeos.

Nesta semana, o YouTube anunciou mais uma medida contra as notícias falsas e disse que vai começar a remover vídeos que negam eventos como o Holocausto ou o tiroteio de Sandy Hook.

Fonte: Engadget

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