Polêmica: China prende jornalista que filmou corpos de vítimas do coronavírus

Por Natalie Rosa | 10 de Fevereiro de 2020 às 18h20
Reprodução

Um jornalista chinês foi preso pelas autoridades nesta segunda-feira (10), dias após publicar na internet um vídeo que mostrava os corpos de vítimas fatais do coronavírus. 

No vídeo, Fang Bin mostrou dentro de um veículo de funerária corpos empilhados de pessoas que morreram devido à doença, além de imagens de um hospital na cidade de Wuhan. Inclusive, no momento da gravação clandestina dentro do local, outro paciente havia falecido, totalizando oito mortos em cinco minutos totais de gravação. O registro viralizou e chegou a ser divulgado na imprensa mundial.

Desde que as imagens foram divulgadas, Bin foi alertado para não espalhar rumores e não publicar mais nenhum vídeo, o que não aconteceu.

No vídeo feito por Fang, o jornalista diz ter contado oito corpos (Imagem: Captura de tela)

No momento da prisão, Fang se recusou a deixar o seu apartamento, enquanto o policiamento estava em volta de sua casa bloqueando qualquer tentativa de fuga. Sem resposta, a porta acabou sendo arrombada para que a prisão fosse feita. Há cerca de alguns dias, Fang chegou a dizer na internet, em outro vídeo gravado no dia 7 de fevereiro, que o único motivo pelo qual as autoridades não haviam invadido ainda a sua casa era porque os vídeos tinham chamado muito a atenção dos curiosos de todo o mundo.

Emocionalmente abalado, o jornalista ainda diz no vídeo que "se eles (os policiais) não vierem até mim, eles vão se voltar a vocês". Fang chegou a dizer ainda que publicaria um vídeo por dia para mostrar que estava seguro, mas nesta segunda-feira nenhum conteúdo foi publicado devido à prisão. 

Mas não é só Fang Bin quem vem enfrentando problemas com as autoridades chinesas por causa do coronavírus. Um ex-advogado de direitos humanos da China, Chen Qiushi, que ganhou fama após os protestos em Hong-Kong, também publicou em redes sociais conteúdos que são facilmente censurados pelo país, dizendo que motoristas de táxi já sabiam da doença há algum tempo e que a equipe médica do hospital de Wuhan estava se infectando. Chen não é visto desde a última quinta-feira (6) e seus familiares pedem por alguma informação sobre o rapaz.

Além de Chen, o professor de direito da Universidade de Tsinghua, Xu Zhangrun, também desapareceu depois de escrever um artigo criticando a forma em que a cidade de Beijing vem lidando com a crise. Segundo um amigo de Xu, ele já voltou para casa sem dar mais detalhes sobre o ocorrido.

Fonte: Vice

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