Influenciadores chineses deverão ter qualificações para falar de certos temas

Influenciadores chineses deverão ter qualificações para falar de certos temas

Por Munique Shih | Editado por Claudio Yuge | 23 de Junho de 2022 às 22h30
Pexels/RODNAE Productions

Após a implementação de diversas regulamentações no setor de live streaming, as autoridades chinesas anunciaram na última terça-feira (22) que agora os influenciadores devem ter qualificações necessárias para tratar de certos tópicos, como direito, medicina e finanças em seus vídeos.

Segundo um comunicado conjunto da Administração Estatal de Rádio e Televisão da China e do Ministério da Cultura e Turismo, os streamers devem ter as qualificações correspondentes para conteúdos que exigem um “nível profissional mais alto”.

Com o novo regulamento, as autoridades buscam “padronizar ainda mais o comportamento profissional dos âncoras online, fortalecer a construção de ética profissional e promover o desenvolvimento saudável e ordenado da indústria”.

Após a implementação da regra, as plataformas de streaming serão obrigadas a verificar as qualificações dos streamers com base em documentos reais antes de autorizarem a transmissão de conteúdos específicos. Segundo as autoridades, influenciadores que violarem as regras podem ser proibidos de fazer lives permanentemente.

Plataformas de streaming serão obrigadas a verificar as qualificações dos streamers (Imagem: Reprodução/Pexels)

Regulamentações na Internet chinesa

Na última terça-feira (22), Pequim também anunciou um plano de longo prazo que consiste na revisão de todos os comentários feitos em redes sociais pelos usuários, por parte das plataformas — anúncio que causou preocupação na população chinesa. Com a regra, as plataformas deverão denunciar qualquer “material ilegal e prejudicial” às autoridades, com risco de punição caso não sigam os regulamentos.

A imposição de regras diversas no setor de tecnologia do país não é novidade. Pequim tem proposto diversas regulamentações nos últimos dois anos para controlar o possível monopólio das suas big techs, além de aumentar o monitoramento sob os setores de games e transmissões ao vivo.

No mês passado, por exemplo, as autoridades do país proibiram crianças menores de 16 anos de participar de transmissões ao vivo depois das 22h e comprar presentes virtuais para influenciadores, por contribuir negativamente com o desempenho escolar dos jovens.

Quanto ao setor de live streaming, as autoridades determinaram que livestreamers não podem publicar conteúdo que enfraqueça ou distorça a liderança do Partido Comunista Chinês, além de conteúdos de “baixo nível” que visam ao clickbait — tática para gerar tráfego online por meio conteúdos enganosos ou sensacionalistas.

O “código de conduta” para influenciadores online também determina que as transmissões ao vivo não podem conter conteúdos envolvendo desperdício excessivo de alimentos, excesso de bens de luxo, “ostentação” ou materiais sexualmente sugestivos ou provocativos.

Algumas lojas de comércio eletrônico tem empregado avatares virtuais em vez de pessoas reais, para evitar a repressão das autoridades. As novas regras implementadas na terça-feira (22) também proíbem que os animadores se façam passar por líderes do Partido ou do Estado, utilizando a tecnologia "deepfake".

Fonte: SCMP,CNBC

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