Embaixada do Equador corta internet de Julian Assange

Por Felipe Demartini | 02 de Abril de 2018 às 09h51

Julian Assange teve seu acesso à internet cortado, no final da última semana, pela embaixada do Equador em Londres, onde está asilado desde 2012. A restrição veio depois de declarações públicas do delator, por meio do Twitter, contrariando um acordo feito entre ele e o governo equatoriano no fim do passado, sob o qual ele evitaria comentar assuntos externos de forma a evitar tensões internacionais entre os países.

O corte veio depois de Assange abordar dois temas bem específicos – e tensos – na rede social. Primeiro, ele criticou a prisão do ex-presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, afirmando que a Alemanha possui, agora, seu primeiro encarcerado político; depois, criticou a decisão do governo da Grã-Bretanha de expulsar diplomatas russos do país após um caso de envenenamento que tirou a vida de um ex-espião do país juntamente com sua filha.

Apesar do primeiro caso já ter levantado sobrancelhas internacionais, foi o segundo que gerou a maior polêmica. Em sua fala, Assange criticava diretamente a primeira-ministra britânica Theresa May e afirmava que o ato de expulsão dos diplomatas é descuidado, pois ainda não existem provas do que aconteceu, além de fortalecer a narrativa russa de que existe uma conspiração contra o país.

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Dois dias depois das postagens, feitas na segunda (26), o acesso do delator à internet teria sido cortado, mas a informação só veio a público bem mais tarde. Isso, porém, não impediu que fosse detonada uma onda de manifestações diante da embaixada equatoriana em Londres e petições online para que as comunicações de Assange fossem devolvidas.

Entretanto, até o momento em que esta reportagem é escrita, pelo menos de acordo com o que se sabe, ele continua sem internet. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Equador afirmou ter sido o responsável pelo corte, citando violações a um acordo feito de maneira voluntária entre Assange e o governo do Equador de que ele não interferiria em assuntos internacionais de outros Estados em troca de cidadania.

Com isso, a embaixada afirma que, ao receber os documentos, o delator se comprometeu a respeitar as leis do Equador e está submetido às mesmas normas e condutas aplicadas a qualquer outro cidadão do país. O ministério afirma estar tratando a questão com seriedade e espera a cooperação de Assange, mas não revelou quando, nem se, o acesso à internet de um dos principais contribuidores do WikiLeaks será devolvido.

Comentando a questão, o ministro das relações exteriores da Grã-Bretanha, Alan Duncan, foi bem mais duro. Ele demonstrou preocupação quanto ao longo asilo político de Assange na embaixada e o chamou de “um pequeno inseto miserável”, que deveria se entregar às autoridades. O delator ainda tinha internet quando o comentário aconteceu e respondeu com ironia, afirmando ter estatura alta e preferir ser um inseto a uma cobra. Além disso, disse estar miserável mesmo, afinal, se encontra “preso sem provas por oito anos e em violação a duas ordens da ONU”.

Assange pediu asilo político na embaixada do Equador em Londres no ano de 2012, após a corte suprema do Reino Unido ordenar sua extradição à Suécia para que ele pudesse responder a um processo por abuso sexual e estupro. O delator, entretanto, acredita que a acusação é uma farsa que o levaria diretamente aos Estados Unidos, onde ele responderia pelo vazamento de centenas de documentos e informações confidenciais do país por meio do WikiLeaks.

As investigações quanto aos crimes sexuais foram deixadas de lado pelas autoridades em maio do ano passado, o que incluiu até mesmo uma revogação da ordem de prisão de Assange. Entretanto, ele enfrenta outro processo relacionado à quebra de liberdade condicional ao pedir asilo e, justamente por isso, permanece na embaixada do Equador, em uma solução sem impasse que, agora, ganha novos contornos.

Fonte: BBC, Reuters

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