Bing sugere pesquisas racistas e dá mais destaque a resultados pornôs

Por Rafael Rodrigues da Silva | 11 de Outubro de 2018 às 07h42
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Um novo problema assola o Bing: o mecanismo de busca da Microsoft tem mostrado resultados resultados ofensivos, racistas e abusivos a minorias, principalmente mulheres.

A revelação veio de Chris Hoffman, do site HowToGeek, que afirma que o buscador retorna sugestões de resultados extremamente ofensivos quando o usuário procura por termos como "Jew" (judeu) e "Michele Obama". Nesses dois casos específicos, por exemplo, o Bing recomenda termos como “jews are evil” (judeus são maus) e “Michele Obama is a man” (Michele Obama é um homem).

Hoffman também aponta problemas graves na busca de imagens. Caso algum usuário procurar por “girls” (garotas), mas acabar errando na digitação e escrevendo “grils”, revela resultados de garotas em poses sensuais e provocantes (muitas vezes até mesmo sem camisa) mesmo com a opção de pesquisa segura ativada. Para piorar a situação, o Bing até sugere, no autocompletar, coisas inaceitáveis como “girl ages 13 no shirt” (garota de 13 anos sem camisa).

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Agora, caso a mesma pesquisa seja feita utilizando-se o Bing através da barra e busca do Windows 10, entre os resultados de garotas que são claramente menores de idade estarão alguma imagens de cenas de sexo explícito, o que cria um contexto assustador, principalmente considerando que esses resultados são mostrados mesmo com a pesquisa segura ligada.

Imagens de sexo explícito com menores de idade sugeridas pela busca Bing (Captura: Tristan Green/TNW)

Além disso, o buscador da Microsoft sugere aos usuários que digitam “gril” na busca a desligar a pesquisa segura, o que imediatamente fará a ferramenta mostrar apenas imagens de conotação sexual e cenas de sexo explícito. Não somente isso, mas o botão para desligar a pesquisa segura fica no topo da tela, bem à mostra, o que pode fazer com que qualquer criança a desligue sem nenhum tipo de problema.

E a coisa não para por aí. Caso se procure qualquer coisa relacionada a garotas, mulheres, sexo feminino ou qualquer celebridade feminina com a pesquisa segura desligada, os primeiros resultados mostrados serão sites, imagens e vídeos pornográficos.

O problema de resultados ofensivos vai além das buscas sobre mulheres. Há também o racismo. Independentemente de se estar usando a pesquisa segura ou não, o primeiro resultado para uma busca sobre “black people” (pessoas negras) é um vídeo que possui na capa o desenho de uma pessoa negra sorrindo para um pedaço de melancia e uma coxa de frango frito (ambos símbolos usados por grupos racistas para estereotipar e diminuir afrodescendentes), que evolui para uma equação que explica como os negros estão roubando dinheiro e sapatos das pessoas brancas. Já fazer uma busca por imagens pela palavra “jew” (judeu) retorna resultados de pessoas doentes e morrendo.

Ainda que a Microsoft culpe o algoritmo do sistema, que dá mais destaque para aquilo que as pessoas mais pesquisam, parece uma desculpa rasa, já que nenhum dos outros grandes buscadores da internet sugerem “ugly black people” (pessoas negras feias) ao se procurar por “black people” e nem sugerem ao usuário desligar o filtro de conteúdo seguro quando este procura por “underage girls” (garotas menor de idade).

Quando perguntado sobre o problema, Jeff Jones, diretor sênior da Microsoft, afirmou que a empresa está sempre preocupada em não sugerir conteúdo ofensivo e que eles sempre trabalham o mais rápido possível para resolver um problema assim que eles ficam sabendo sobre o caso.

Utilizando o Bing aqui no Brasil, a quantidade de resultados ofensivos relacionados a mulheres diminui em comparação com os resultados apresentados nos Estados Unidos, mas ainda é possível encontrar alguns resultados bastante constrangedores mesmo com a pesquisa segura ativada.

Fonte: The Next Web

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