Austrália tem novo recorde mundial de internet: 44,2 TERAS por segundo

Por Rafael Arbulu | 22 de Maio de 2020 às 19h45

Uma pesquisa conduzida em conjunto por três universidades da Austrália atingiu o que deve ser o novo recorde mundial de velocidade de conexão de internet: 44,2 terabits por segundo (Tbps). O processo do estudo, bem como seus resultados, foram publicados pela revista Nature Communications. O interessante é que tal velocidade foi atingida sem o uso de nenhuma tecnologia especial, apenas um único cabo de fibra ótica e um só processador.

As universidades de Monash, Swinburne e RMIT implementaram a conexão, que percorreu o caminho entre os campus do RMIT (Melbourne City) e Monash, um trajeto de aproximadamente 23 quilômetros de distância (ou 25 minutos em média, de carro). De acordo com o professor David Moss, da Swinburne, a velocidade estabelece um novo recorde.

“O que nossa pesquisa demonstra é a capacidade das fibras que nós já temos instaladas no subterrâneo, graças ao projeto NBN e ao backbone das redes de comunicação de hoje e do futuro”, disse o palestrante da Universidade de Monash e coautor do projeto, Bill Corcoran. “Desenvolvemos algo que é escalável e capaz de atender a demandas do futuro”.

50 filmes Blu-ray Ultra HD em um segundo: essa foi a velocidade obtida por pesquisadores na Austrália (Imagem: Reprodução/Pixabay)

Por “demandas”, os professores referem-se à possível instalação desses recursos em data centers empresariais, especificamente na conexão entre centros de dados distantes entre si — ou seja, você não vai jogar Fortnite com uma conexão tão veloz tão cedo. O padrão inferior de conexão — o gigabit por segundo ou simplesmente Gbps — já está disponível há anos e nem ele é comum para uso residencial. Mas só para deixar você curioso: 44,2 Tbps é velocidade suficiente para baixar, em um mísero segundo, 50 filmes Blu-ray com resolução Ultra HD.

Os professores explicaram que a nova velocidade foi atingida graças a uma tecnologia cujo nome, em uma tradução livre, é “pente-fino” (“micro comb”, no inglês). Esse recurso foi posicionado dentro das fibras do cabo, marcando a primeira vez que ele foi usado em testes de campo. A grosso modo, o pente-fino é uma forma mais eficaz e estável de transmissão de dados.

O objetivo agora é avaliar a aplicabilidade no contexto tecnológico atual: “A longo prazo, esperamos criar chips fotônicos integrados que poderiam permitir esse tipo de volume de transferência de dados por toda a rede atual de fibra ótica, a custos mínimos”, disse o professor Arnan Mitchell, do RMIT. Contudo, os especialistas reconhecem que isso ainda deve levar um bom tempo.

Fonte: Nature Communications

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