Apple vai remover apps que não pedirem autorização para rastrear usuários

Por Ramon de Souza | 08 de Dezembro de 2020 às 20h00
zhang kaiyv/Unsplash

Recentemente, conforme noticiado pelo Canaltech, a Apple publicou uma carta aberta para explicar os motivos que a levaram a adiar a inauguração do sistema App Track Transparency (ATT) para 2021, tal como “alfinetar” algumas gigantes do mercado de tecnologia que estavam criticando a iniciativa. Agora, a companhia foi mais a fundo e anunciou severas penalidades para quem não colaborar com essa iminente política.

Durante uma palestra nesta terça-feira (8), Craig Federighi, vice-presidente de engenharia de software da Maçã, afirmou que os aplicativos que não cumprirem com os requisitos do ATT serão sumariamente excluídos da App Store. Trata-se de uma decisão drástica que vai irritar muitos desenvolvedores e anunciantes, mas que deve fortalecer ainda mais a privacidade de quem utiliza um iPhone ou um iPad,

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“Alguns na indústria de publicidade estão fazendo lobby contra esses esforços — alegando que o ATT prejudicará drasticamente os negócios com publicidade —, mas esperamos que a indústria se adapte como ocorreu quando introduzimos a prevenção de rastreamento inteligente, fornecendo publicidade eficaz sem um rastreamento invasivo”, garantiu Federighi, possivelmente se referindo, novamente, ao Facebook.

A rede social de Mark Zuckerberg é uma das principais opositoras ao novo sistema, alegando que a inauguração do sistema poderá reduzir seus lucros com anúncios em 50% — um suposto dano financeiro que, é claro, seria ainda mais pesado para pequenos desenvolvedores e para redes de publicidade de menor porte. A Apple, por sua vez, garante que é possível continuar lucrando sem ferir a privacidade dos internautas.

Craig Federighi no evento WWDC (Imagem: Reprodução/Apple)

“No início do próximo ano, começaremos a exigir que todos os aplicativos que desejam fazer isso [rastrear o usuário para fins de publicidade direcionada] obtenham a permissão explícita de seus usuários, e os desenvolvedores que não atenderem a esse padrão podem ter seus aplicativos retirados da App Store”, explica Federighi. Ainda não há uma data específica para que o ATT inaugure, mas podemos estimar que ele já funcione em janeiro.

O que é o ATT e qual é a sua importância

Todo iGadget possui um código alfanumérico único conhecido como Identificador para Anunciantes (ou IDFA, do original em inglês Identifier for Advertisers). É com esse código que as redes de publicidade, integradas em aplicativos monetizados com anúncios, identificam o internauta e rastreia sua atividade na web, “ficando de olho” em seus interesses para exibir banners relevantes de acordo com seus hábitos de compra.

O ATT, que deveria ter estreado junto com o iOS 14, exibe uma janela pop-up toda vez que o usuário abre um aplicativo que usará o IDFA para rastrear seu comportamento com intuitos publicitários, dando ao cliente o poder de aceitar (opt-in) ou negar (opt-out) tal rastreio. Visto que a maioria das pessoas se sente incomodada com esse tipo de prática, podemos estimar que a maioria dos cidadãos vai preferir fazer o opt-out.

Claro, não existem só iPhones no mundo — a linha de smartphones da Maçã representa 25% de todos os celulares ativos no globo. Porém, donos de iGadgets são considerados mais valiosos por redes de publicidade, já que, segundo estudos do setor, eles costumam ter um poder aquisitivo maior e são mais propensos a comprar online depois de terem sido impactados por um anúncio interessante.

Fonte: CNBC

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