A quarta revolução industrial: a transformação digital

Por Bernardo Carneiro | 30 de Junho de 2020 às 10h00
luminastock/Depositphotos

A pandemia mudou radicalmente a relação entre as pessoas e os negócios e acelerou a digitalização das empresas. O novo coronavírus potencializou a quarta revolução industrial da nossa história – a mais disruptiva de todas as eras. Vivemos hoje em uma época caracterizada por novas tecnologias que conectam os mundos físico e virtual. E a transformação digital se tornou a via única de sobrevivência diante de tantos desafios impostos pelo isolamento social.

Definitivamente as pessoas inseriram o on-line em suas vidas. Estamos mais conectados do que nunca. Aprendemos a comprar pela internet, a usar serviços financeiros on-line, a gostar do delivery, fazer o supermercado on-line, a estudar e fazer exercícios à distância e, principalmente, a trabalhar. Com o aumento do consumo das famílias em casa, vimos o crescimento do segmento de farmácias e dos supermercados que, digitalizados, assumiram um papel fundamental para a sociedade.

Na luta pela sobrevivência e equilíbrio das contas, o e-commerce explodiu no Brasil durante a quarentena. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, o país registrou um aumento de 400% no número de lojas que abriram o comércio eletrônico durante o período da quarentena. Até o início da segunda quinzena de março, a média era de 10 mil aberturas por mês. Após o decreto do isolamento social, o número subiu para 50 mil mensais. 

Outro levantamento realizado pelo Pagar.me, startup que oferece soluções para venda por e-commerce, aponta os setores que evoluíram durante os primeiros 100 dias de isolamento em comparação aos três primeiros meses do ano. Segundo o estudo, o segmento de bebidas disparou com alta de 150%, a categoria móveis para casa aumentou 244%, a de eletrônicos 200%, seguidas pelas doações que cresceram 148% e alimentação com 136%.

Contudo, vale refletir sobre a aceleração da transformação digital em tempos de pandemia. Será que se estivéssemos vivendo em um mundo “normal” – o de antes – essa mudança teria acontecido na mesma velocidade? Provavelmente, não, pois é exatamente em momentos difíceis que surgem as oportunidades de adaptação a um novo cenário. Muitas empresas aproveitaram crises passadas para inovar e tornarem-se mais fortes. Isso permitiu que os meses seguintes e os anos subsequentes fossem muito positivos em termos de crescimento de receita, expansão geográfica e margens.

Deste momento que vivemos, certamente sairão mais fortes aquelas empresas que sempre mantiveram disciplina financeira e histórico de entrega de resultados, além daquelas companhias mais maduras digitalmente que estão aproveitando a onda para acelerar e crescer. O fato é que quem não aderir ao digital ficará cada vez mais para trás. O momento de reinventar o modelo de negócio é agora. Portanto, o melhor é antecipar-se às mudanças antes que o mercado exija essa disrupção.

Ter mais de um canal de vendas para equilibrar as receitas e saber usar ferramentas que ajudem a conhecer mais o comportamento do consumidor são estratégias assertivas para manter o equilíbrio financeiro. Além disso, há programas de fidelidade e CRM que, neste momento, são muito relevantes para descobrir as preferências e rotinas dos clientes, melhor atendê-los e encantá-los. 

Novo normal

O consumidor introduziu o mundo virtual na sua vida, mas está longe de descartar as experiências do mundo físico. O passeio aos shoppings, a ida às feiras, parques, lojas de rua, cinemas e supermercados continuam sendo objeto de desejo do consumidor. Aos poucos, as pessoas irão retomar as suas rotinas. No entanto, o “novo normal” vai se impor ao mundo que conhecíamos antes da crise. O home-office, as lives de workshops e shows, as compras on-line e a EAD vieram para ficar. 

O e-commerce, que sofreu um boom durante a pandemia, trouxe facilidades e agilidade à vida do consumidor. Educação, saúde e trabalho serão cada vez mais remotos e o consumo será intermediado pela tecnologia. A tendência é que as pessoas sigam consumindo digitalmente, nos mais diversos setores e com tickets maiores. Esses hábitos vão permanecer, assim como o consumo de conteúdo digital ao longo dos próximos anos, com as oportunidades de inovação nos segmentos de educação e entretenimento.

Pensando na retomada, precisamos refletir qual será o novo comportamento do consumidor em cada nicho de mercado, ou seja, quais hábitos ele manterá e quais descartará. Em muitos casos, observamos que ser on-line tornou a experiência muito melhor, já em outros estamos saudosos do presencial. Por fim, o que vamos assistir é um cliente multicanal, que irá interagir e consumir de empresas em diferentes meios. Aqueles que estiverem preparados para atendê-los bem em todos os canais, terão uma boa oportunidade de fidelizar e encantar seus clientes. 

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