MtGox vai mesmo encerrar suas atividades

Por Redação | 16 de Abril de 2014 às 12h38

O MtGox, um dos maiores câmbios de Bitcoins do mundo, desistiu de seu processo de reestruturação interna e entrou com um pedido de liquidação junto à justiça japonesa. Assim, a empresa solicita ao governo ajuda para encerrar de vez seus negócios após um roubo de moedas virtuais que resultou em mais de US$ 500 milhões em perdas.

A informação não foi confirmada oficialmente pelo governo do Japão ou pelos advogados do MtGox, onde a companhia operava, mas foi publicada pelo Wall Street Journal. As fontes ouvidas pelo jornal afirmam também que ainda existe uma vaga expectativa de compra dos sistemas da casa de câmbio, de forma que os credores possam, talvez, receber parte dos lucros futuros como parte do processo de fechamento e transferência de tecnologia.

Mas, caso isso não aconteça, os lesados pela quebra do MtGox receberão menos do que foi investido no negócio. A relação com os credores, inclusive, teria sido uma das razões citadas pela empresa como parte do processo de liquidação, já que os afetados pelo roubo de 850 mil Bitcoins estão espalhados ao redor do mundo, o que dificultaria contatos e negociações.

Além disso, o câmbio teria citado a ausência de planos sólidos de reestruturação como o segundo motivo principal para o pedido de encerramento de suas atividades. Caso seja aprovada, a liquidação prevê a nomeação de um representante que assume o controle da empresa, retirando-a das mãos do CEO Mark Karpeles. Na sequência, inicia-se o processo de finalização dos negócios e a tentativa de pagamento aos credores.

O processo seria realizado ao longo das próximas duas semanas e pode ser oficializado pelas autoridades ainda nesta quarta-feira (16). Ao todo, são 127 mil credores espalhados por todo o planeta.

Problemas maiores

A perda de 850 mil Bitcoins teria sido causada por um problema nos sistemas de segurança do MtGox, que teriam permitido a hackers limparem o cofre virtual da instituição. A notícia foi publicada no início do ano e, desde então, a empresa e o seu diretor têm sido assunto de notícias e especulações sobre as causas do rombo e o que levou a isso.

A situação pouco clara e os rumores de que Karpeles teria limpado a conta em benefício próprio – ou que estaria usando o dinheiro dos clientes para financiar a operação da própria companhia – também chamaram a atenção do governo americano. Um departamento especializado em crimes digitais, montado pelo Departamento do Tesouro, tem acompanhado de perto o mercado das criptomoedas e, claro, tem o MtGox como seu principal ponto de atenção.

Na segunda-feira (14), o MtGox entrou com um pedido de falência em uma corte do Dallas, como uma forma de validar o processo também nos Estados Unidos e impedir que uma ação judicial aberta por um grupo de clientes do serviço gere acesso às contas bancárias da empresa. A solicitação, porém, acabou gerando uma intimação para o CEO Mark Karpeles, que agora precisa comparecer para prestar esclarecimentos diante da justiça do país.

De acordo com a reportagem do Wall Street Journal, os advogados do executivo temem que, caso ele cumpra a ordem, acabe sendo detido com suspeitas de fraude ou acabe sendo envolvido em outra investigação, que envolve o e-commerce virtual de drogas Silk Road. Justamente por isso, é possível que Karpeles não compareça à audiência e seja substituído por um representante, uma ideia que não agradou ao Departamento de Justiça.

A possível conexão do câmbio de Bitcoins com o comércio de entorpecentes já levou o Departamento de Segurança Nacional a bloquear US$ 5,1 milhões de contas bancárias associadas ao MtGox. De acordo com os números apresentados pelo governo, a empresa movimentava cerca de US$ 60 milhões todos os meses em mercados ilegais, apesar de alegar grandes esforços para cortar relações com os clientes que utilizavam a criptomoeda para fins escusos.

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