Google encerra conselho de ética em inteligência artificial

Por Felipe Demartini | 05 de Abril de 2019 às 14h21
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Durou apenas 10 dias o conselho de ética formado pela Google para avaliar as melhores práticas no desenvolvimento e utilização da inteligência artificial. Anunciada na última semana, a equipe foi desfeita pela gigante após polêmicas relacionadas às relações dela com setores militares e, também, aos protestos relacionados à presença de Kay Coles James, empreendedor ligado ao governo de Donald Trump e também a causas transfóbicas, antiaborto e contra os direitos LGBT+.

A iniciativa na última semana como uma forma de criar um conjunto de normas, mesmo que informais, para pesquisas e desenvolvimento de inteligência artificial em áreas como reconhecimento facial, vigilância, análise de dados e outros assuntos relacionados. O conselho serviria para dar recomendações à própria Google e também a outras companhias do setor sobre as melhores maneiras de tratar situações relacionadas a questões raciais, privacidade, direitos humanos e garantias legais.

A polêmica começou, entretanto, quando a Google anunciou a presença de James entre os oito membros do conselho. Presidente da think tank conservadora Heritage Foundation, ele é um notório aliado de Trump e favorável a causas que lutam contra o aborto e a criação de políticas públicas que protejam transsexuais e a comunidade LGBT+. Ele também se posicionou a favor do muro separando os Estados Unidos e o México.

Na última segunda-feira (01), funcionários da própria Google divulgaram um abaixo-assinado e uma carta aberta pedindo a saída de James do conselho. Para eles, um grupo que se diz em prol da ética e de valores não pode ter um integrante notoriamente contrário a causas desse tipo. A manifestação contou com o apoio de mais de dois mil colaboradores da companhia, além de partidários dos direitos humanos, acadêmicos e pesquisadores do campo da inteligência artificial.

Protestos também foram feitos contra a presença de Dyan Gibbens, CEO da Trumbull Unmanned, empresa de desenvolvimento de drones com fortes ligações às Forças Armadas americanas. Novamente, a questão moral foi levantada, ecoando manifestações do passado quanto ao envolvimento da Google com o setor militar, algo que seria evidenciado com a participação do executivo em um conselho de ética dessa categoria.

Os posicionamentos levaram a manifestações públicas de outros membros do conselho. Alessandro Acquisti, especialista em privacidade e professor de tecnologia e políticas públicas do Heinz College, pediu para sair do grupo no começo desta semana. Outros, como o professor de Oxford Luciano Floridi e Joanna Bryson, da Universidade de Bath, também demonstraram oposições à presença de Gibbens e James no conselho.

Ao confirmar a dissolução do grupo, a Google afirmou que ficou claro, muito rapidamente, que a iniciativa não funcionaria como era esperado, tanto pela própria empresa quanto por setores da sociedade. Por isso, para a gigante, é hora de “voltar à prancheta” e pensar em um novo caminho a seguir, o que indica que a ideia não foi deixada de lado.

Fonte: Reuters, The Guardian

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