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CTO da Microsoft acredita que IAs irão revolucionar o mundo na próxima década

Por| 28 de Novembro de 2018 às 15h24

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CTO da Microsoft acredita que IAs irão revolucionar o mundo na próxima década
CTO da Microsoft acredita que IAs irão revolucionar o mundo na próxima década
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Desde que saiu do LinkedIn e assumiu o papel de CTO da Microsoft em 2017, Kevin Scott se viu numa posição bem diferente do que o cargo costuma impor. Enquanto na maioria das empresas o CTO é responsável por supervisionar as equipes de engenharia e assegurar que a companhia irá investir em tecnologias que lhe garantirão lucros futuros, isso é meio impossível de se fazer na Microsoft, que possui milhares de engenheiros espalhados em centenas de equipes de desenvolvimento ao redor do mundo.

Assim, a tarefa dele não é exatamente supervisionar as equipes de engenharia, mas sim a “cultura de engenharia” da empresa, garantindo que as diversas equipes de desenvolvimento dos diversos produtos da companhia estejam sempre se comunicando, a par de quais tecnologias estão em desenvolvimento nos diferentes pólos da empresa. Da parte mais tradicional do cargo, fica apenas o papel de garantir que os investimentos da empresa em tecnologia sejam certeiros, função que ele exerce junto com o CEO Satya Nadella.

Isso quer dizer que o olhar de Scott precisa muitas vezes estar mais voltado para aquilo que será bom para a empresa do que necessariamente aquilo que já é bom para a empresa. E ele enxerga duas tendências que, combinadas, deverão mudar o mundo na próxima década: a criação de processadores de silício extremamente baratos e o avanço das inteligências artificiais a níveis praticamente autônomos.

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Pelas estimativas de Scott, dentro dos próximos 8 anos iremos entrar numa nova era da informática, na qual processadores minúsculos e baratos terão poder de processamento suficiente para rodar IAs avançadas.

Para o executivo, essa evolução se dará por necessidade: no momento que objetos como carros autônomos e linhas de produção completamente automatizadas se tornarem algo comum, a arquitetura atual dos processadores não será o suficiente para dar conta da quantidade de informação gerada por esses sistemas, o que obrigará as indústria a criarem uma solução para esse problema, desenvolvendo um melhor método de uso para processadores de silício.

A própria Microsoft já tem algumas linhas de pesquisa nesse sentido, como o Projeto Brainwave, que é um sistema otimizado por IA para uso no sistema em nuvem Microsoft Azure, que utiliza um novo tipo de arquitetura para executar a operação sem perdas. Apesar disso, a empresa não tem intenção de entrar no mercado de processadores, e todas as pesquisas de arquiteturas desenvolvidas pela empresa são oferecidas para qualquer indústria que queira utilizá-las como base para seus próprios designs.

Mesmo assim, o executivo não acredita que a revolução dos processadores será criada por gigantes como a Microsoft, Nvidia e Qualcomm, mas sim por startups. Ele não revela nomes, mas já avisa que existem pelo menos cinco dessas empresas que já levantaram mais de US$ 100 milhões em investimentos para criar a próxima revolução dos processadores.

Perguntado sobre a computação quântica, Scott não descarta de todo a importância dela, mas acredita que essa revolução poderá demorar um pouco mais pra chegar. Por enquanto, não só a Microsoft mas também gigantes como a Google e a IBM têm investido bastante em tecnologia quântica, mas todas ainda estão tentando descobrir como tirar essa tecnologia de seus laboratórios de ponta e produzi-la de um modo compacto e barato para ser utilizado no mundo real.

E, como é de se esperar, uma revolução na capacidade de processamento irá significar também uma revolução na capacidade das IAs.

Com a criação do método reinforcement learning (que “premia” uma IA quando ela atinge um resultado satisfatório), Scott afirma que o maior obstáculo para o desenvolvimento dessas aplicações são as limitações dos processadores atuais, e ao descobrir modos de torná-los mais rápidos, essas IAs deverão se desenvolver sozinhas naturalmente.

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Ele cita como exemplo a organização de contêineres para transporte em navios. Dada a quantidade de variáveis existentes na operação (tamanho e peso dos contêineres, cidade onde ele foi carregado, cidade onde ele deverá ser descarregado), ainda é impossível que a tarefa de organização desses objetos seja feita totalmente por máquinas, e hoje ter humanos controlando os guindastes de um porto torna a operação muito mais rápida. Mas, com a criação de novos processadores, será possível criar IAs que executarão essa operação em velocidades ainda maiores e sem nenhum auxílio humano. Ao chegarmos nesse ponto do desenvolvimento, veremos IAs serem criadas para propósitos nunca antes pensados, já que elas serão capazes de executar tarefas que antes eram consideradas como impossíveis de serem dominadas por um computador.

E esse será o principal papel da Microsoft nessa revolução: tornar as aplicações de IA acessíveis para o maior número possível de pessoas.

E ainda que parte disso seja na utilização de IAs dentro dos softwares mais conhecidos da companhia (como uma IA que cria automaticamente slides do Power Point), a parte que mais interessa a Scott são as possibilidades de criar IAs mais atrativas para desenvolvedores. E, ironicamente, esse objetivo seria uma espécie de “retorno às origens” da empresa, que foi fundada com o objetivo de tornar a linguagem de programação BASIC mais simples de ser usada por desenvolvedores, e que agora vê como um de seus principais objetivos no futuro próximo fazer a mesma coisa com aplicações de IA.

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Fonte: Business Insider