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ChatGPT | IA não deve ser autora de estudos científicos, diz Nature

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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Reprodução/OpenAI (modificada)
Reprodução/OpenAI (modificada)

A popularização do modelo de inteligência artificial ChatGPT, desenvolvido pela empresa norte-americana OpenAI, acendeu um sinal de alerta vermelho na comunidade científica — afinal, a ferramenta já foi listada até como autora de estudos acadêmicos. Diante do atual cenário, uma das revistas mais conceituadas no ramo, a Nature, anunciou, nesta semana, que uma IA não pode e nem será considerada uma autora dentro de suas publicações.

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"À medida que os pesquisadores mergulham no admirável mundo novo dos chatbots avançados de IA, os editores precisam reconhecer seus usos legítimos e estabelecer diretrizes claras para evitar abusos", afirma a Nature. Neste ponto, a revista defende que é necessário reconhecer os limites, como propõe.

Agora, a expectativa é que outras publicações relevantes na produção científica sigam a mesma posição. O interessante é que a Nature não nega a possibilidade de uso da IA nos trabalhos, mas defende a existência exclusiva de autores reais, já que, em casos de erros ou falhas, devem ser responsabilizados. Culpar uma IA, como ChatGPT, não faz sentido, porque não há compromisso explícito com a busca pela verdade.

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Entenda o problema do efeito ChatGPT na comunidade científica

Segundo levantamento da Nature, o ChatGPT já foi incluído como autor em um preprint — estudo científico ainda não revisado por pares — publicado na plataforma MedRxiv em dezembro do ano passado. Além disso, foi creditado como coautor em artigos das revistas Nurse Education in Practice e Oncoscience.

"A grande preocupação na comunidade de pesquisa é que estudantes e cientistas possam usar, de forma enganosa, textos escritos por LLM [Modelo de Linguagem Grande, como o ChatGPT] como seus próprios, ou usar LLM de maneira simplista (como conduzir uma revisão incompleta da literatura) e produzir trabalhos que não sejam confiáveis", pontua a revista.

Neste cenário, duas regras foram definidas para regular tais práticas:

  • Nenhuma ferramenta será aceita como autor em um estudo. "Isso ocorre porque qualquer atribuição de autoria acarreta responsabilidade pelo trabalho, e as ferramentas de IA não podem assumir essa responsabilidade", esclarece a Nature.
  • O uso de ferramentas do tipo devem ser documentado nas seções de métodos ou agradecimentos de um artigo científico.

É possível saber se um estudo científico foi feito por uma IA?

Apesar das novas regras, cabe se perguntar: é possível identificar um texto escrito por uma IA? Segundo a Nature, a resposta é "talvez", já que depende de "uma inspeção cuidadosa" e tende a ser mais precisa "quando mais do que alguns parágrafos estão envolvidos". Inclusive, a equipe do Canaltech já fez a mesma pergunta para o ChatGPT.

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Outro ponto é que a ferramenta não indica as fontes usadas na resposta, algo fundamental no mundo acadêmico. "Mas, no futuro, os pesquisadores de IA podem contornar esses problemas — já existem alguns experimentos ligando chatbots a ferramentas de citação de fontes, por exemplo, e outros treinando os chatbots para textos científicos especializados", avisa a Nature.

Em outra frente, a editora da Nature, a Springer, desenvolve uma tecnologia própria para identificar textos produzidos por IA com fins acadêmicos. Para os próximos anos, este embate pode representar o início de uma nova era na produção de saber científico e uma prova de fogo à criatividade e ao intelecto humano.

Fonte: Nature (1) e (2)