Táxi aéreo de Larry Page está perto de ser regulamentado na Nova Zelândia

Por Jessica Pinheiro | 13 de Março de 2018 às 18h00
Kitty Hawk

Táxis aéreos não são necessariamente uma novidade. Muitas empresas de mobilidade urbana já estão investindo na promissora tecnologia, e até mesmo quem não faz necessariamente parte do setor também já deu se adiantou na corrida. É o caso de Larry Page, cofundador da Google e agora presidente-executivo da Alphabet. Sua startup, a Kitty Hawk, vem testando um protótipo de táxi aéreo na Nova Zelândia desde outubro do ano passado.

O projeto até então era mantido sob sigilo, e o objeto voador era avistado movendo-se pelos céus da ilha do sul do país, com um formato que remete a um cruzamento de um drone com um pequeno avião, contando ainda com uma série de pequenas lâminas de rotor ao longo de cada asa, que lhe permite decolar como um helicóptero, e depois alçar voo como um avião. Um verdadeiro híbrido.

A Kitty Hawk, liderada por Sebastian Thrun (que ajudou a iniciar a unidade autônoma do carro da Google como diretor do Google X), batizou o novo tipo de táxi aéreo totalmente elétrico de Cora e, como descrito até aqui, o projeto parece ser diferente de tudo que já foi mostrado do gênero até então, se mostrando como uma das propostas de locomoção aérea mais ambiciosas dos últimos tempos.

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Em três anos, toda a locomoção aérea pode mudar

Para começar, Page pretende iniciar uma rede de táxis aéreos autônomos bem antes de seus concorrentes do ramo. E para não chamar a atenção das outras empresas, os testes com Cora estavam sendo realizados na Nova Zelândia como um projeto secreto, dirigido por uma empresa chamada Zephyr Airworks.

Agora que o projeto veio a público, Page e a primeira ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, pretendem fechar um acordo, visando testar as propostas da Kitty Hawk para firmar uma aprovação regulatória e, assim, posteriormente criar uma rede comercial de produção de táxis voadores na Nova Zelândia dentro de um período de três anos – o que marca um enorme avanço na expansão desta tecnologia.

(Imagem: Kitty Hawk)

De acordo com o New York Times, Ardern afirmou em um e-mail que a decisão de trabalhar com a Kitty Hawk foi para enviar uma mensagem para o mundo de que as portas estão abertas para pessoas com ótimas ideias, e que pretendem transformar estas em realidade. “Nós temos o objetivo ambicioso de zerar a produção e gás carbono na Nova Zelândia até 2050”, ela acrescenta, e, considerando que o Cora é totalmente elétrico, “projetos emocionantes como este serão parte deste feito”, ela finaliza se referindo em como o táxi aéreo de Page a ajudará em sua missão.

Expansão para outros países

Nos Estados Unidos, este movimento representa um grande desafio para os reguladores, em particular para a Administração Federal de Aviação. A organização permite que sejam feitos testes em veículos autônomos sob sua jurisdição, mas não existe ainda uma lei que permita que os mesmos sejam certificados e comercializados. Por sinal, regras paras as recentes tecnologias foram adotadas há pouco tempo pela agência.

Em outros países, a permissão para voos não tripulados tem sido menos restritiva, em especial no Oriente Médio e na África. Estes locais, inclusive, parecem dispostos a adotar a tecnologia logo que ela for oficialmente lançada no mercado, mesmo com a atual situação de regulamentação para transportes aéreos nestes países.

A Nova Zelândia, por sua vez, tem abraçado um regime de regulamentação mais considerativo e focado na segurança, o que lhe permitirá criar regras que poderão ser tidas como um modelo a ser seguido nos demais países. A situação também deve melhorar para a Kitty Hawk quando as demais companhias que estão investindo no segmento lançarem suas propostas e estas, por tabela, forem financiadas e comercializadas também.

A Boeing, por exemplo, adquiriu a Aurora Flight Sciences em novembro do ano passado, enquanto que a Airbus fez um investimento há duas semanas na Blade (uma empresa de aviação sediada em Nova Iorque). Dubai por sua vez formou uma aliança com a EHang, uma empresa chinesa; e a Uber tem uma divisão inteira voltada para a área, chamada de Uber Elevate. Isso sem contar os rumores que de outras empresas associadas a Page também estão fazendo testes em outros locais, também em sigilo.

(Imagem: Kitty Hawk)

A própria Zephyr, configurada posteriormente pela Kitty Hawk de Page possui algumas inconsistências em sua história, que traçam suas origens diretamente a Fred Reid, um executivo cujo nome está associado a diversas outras companhias do ramo, tais como a Zee Aero, Virgin América, Delta Air Lines e Star Alliance, dentre outras. Então, é normal que o caso da regulamentação dos táxis aéreos na Nova Zelândia – e os testes feitos em segredo há meses – produza alguma agitação por algum tempo.

Detalhes da Cora

Em entrevista, Reid comentou que utilizar o pioneirismo da Nova Zelândia na comercialização de serviços autônomos de táxis foi uma mudança radical e um grande avanço no setor. A Kitty Hawk já está, inclusive, trabalhando em um aplicativo que vai permitir que os clientes consultem o serviço de mobilização pelos céus.

A aeronave conhecida como Cora possui uma envergadura de asas de 36 pés (quase 11 metros de distância) com doze rotores alimentados por baterias que lhe permitem decolar de maneira semelhante a um helicóptero, e então descer como um avião. Ela pode voar pode cerca de 62 milhas em uma viagem e transportar dois passageiros a uma altura de até 3000 pés (914 metros, aproximadamente) e velocidade de 110 mph.

Embora os ventos soprem aparentemente a favor de Page e sua curiosa ambição, isto não quer dizer que tudo dará certo e que em breve, a população passar a utilizar táxis aéreos ao invés de aviões e carros em um futuro digno de obras de ficção científica. Até que este tipo de transporte seja realmente efetivado, esse cenário pode demorar um pouco para começar a acontecer.

Fonte: MIT Technology Review, NY Times

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