O que é a "bomba suja" e por que a Rússia teme seu uso pela Ucrânia?

O que é a "bomba suja" e por que a Rússia teme seu uso pela Ucrânia?

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 07 de Março de 2022 às 14h44
Gerd Altmann/Pixabay

A Rússia declarou no último domingo (6) que a Ucrânia estaria a um passo de concluir uma arma de defesa chamada "bomba suja". Uma fonte não identificada pelo governo de Vladimir Putin disse que os inimigos podem usar o armamento nuclear para revidar os ataques contra território ucraniano, mesmo sem nenhuma evidência. Mas o que é uma bomba suja e qual seu poder?

A "bomba suja", ou dirty bomb, é um armamento de dispersão que usa material radioativo combinado com explosivos convencionais — como dinamite — para causar um estrago maior. O objetivo da arma é contaminar a área em torno do estouro com substâncias como plutônio, técnica que cria uma onda de choque muito mais letal para as pessoas próximas.

Uma explosão de bomba suja causa dispersão de elementos radioativos (Imagem: Reprodução/Pxhere)

O nível de destruição é elevado, embora possa variar conforme a carga explosiva usada. Em geral, as dirty bombs têm efeitos muito mais psicológicos do que destrutivos, porque se assemelham a armamentos atômicos, mesmo que com um poder menor.

Ainda assim, a recomendação em caso de ataques com esse tipo de armamento é se abrigar em locais fechados para evitar contato com a poeira radioativa. A depender do nível de contato com os materiais, o corpo humano pode apresentar sintomas como náuseas, vômitos, diarreia, inchaço e vermelhidão da pele.

Bomba suja x bomba nuclear

Embora o princípio seja parecido, a bomba suja não é considerada uma explosão nuclear tradicional, portanto não é equiparada à famosa bomba de fissão (ou "bomba nuclear", como é popularmente chamada). As bombas de fissão usam elevadas quantias de energia nuclear liberadas no momento em que toca o alvo, o que gera um estrago ainda maior do que mísseis comuns.

Os efeitos da bomba suja estão mais ligados à explosão em si do que aos agentes contaminantes. Em uma região afetada, os índices de radiação poderiam até afetar em alguma medida a saúde das pessoas, mas não de maneira fatal como ocorreria nas bombas nucleares.

Esse tipo de armamento não é considerado uma "arma de destruição em massa", como outras bombas mais perigosas, porém o efeito destrutivo elevado pode ser terrível para uma guerra. Em conflitos armados, uma eventual utilização significaria inutilizar uma área inteira e fazer com que o inimigo precisasse gastar tempo e recursos para "limpar" o local.

Ucrânia usa bomba suja contra a Rússia?

Ucranianos foram acusados pelos russos de usar bombas sujas, mas não há evidências que comprovem a afirmação (Imagem: Reprodução/Matti/Pexels)

É impossível responder a essa pergunta com 100% de certeza. Embora exista um código de ética nas guerras, nunca se sabe até onde os lados envolvidos no conflito estão dispostos a ir. Até então, não existe prova concreta de que a Ucrânia ou mesmo a Rússia tenha usado este tipo de explosivo.

O presidente russo, Vladimir Putin, justificou a existência de armas nucleares com uma das causas para a invasão da Ucrânia, entre as quais estariam as bombas de plutônio. O temor do Kremlin era que o seu vizinho pudesse se aliar a potências ocidentais, fato que seria consumado com o ingresso na aliança militar Otan, e isso colocasse o território russo em perigo.

A usina nuclear desativada de Chernobyl, palco de um dos piores acidentes radioativos da humanidade, teria sido usada pelo governo de Kiev para desenvolver tal armamento, conforme divulgaram as agências russas de notícias. O problema é que a tecnologia para construção de bombas atômicas é exclusiva de poucos países, e a Ucrânia diz que não a possui desde o fim da União Soviética.

O uso de bombas sujas seria um suposto primeiro passo no caminho rumo à utilização de uma bomba nuclear, muito mais potente e com danos maciços a seres humanos. Resta torcer para que a violência não escale a esse nível radioativo, pois quem pagaria a conta seria a população civil inocente.

Fonte: Reuters, CDC  

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