Novo revestimento faz pisos se limparem sozinhos

Novo revestimento faz pisos se limparem sozinhos

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 20 de Outubro de 2021 às 08h45
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Pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos (IQSC-SP) da USP e do Instituto de Química da Unesp, em Araraquara, ambos no estado de São Paulo, desenvolveram um novo revestimento para pisos cerâmicos com propriedades autolimpantes. O material feito à base de dióxido de titânio e sílica consegue degradar gordura, sujeira e poluentes.

O composto reage a qualquer tipo de fonte de luz ultravioleta, como o Sol, eliminando partículas de poeira, remédios e contaminantes atmosféricos que se depositam na superfície dos pisos. Segundo os cientistas, a substância é ideal para manutenção e limpeza de residências e hospitais.

“Os pisos autolimpantes vendidos atualmente no mercado são revestidos apenas com dióxido de titânio e possuem funções de limpeza limitadas. Isso porque, durante a fabricação das peças, elas são submetidas a processos de queima industrial que podem chegar a 1.200 °C, afetando o material”, explica o professor do IQSC Ubirajara Rodrigues Filho, coautor do estudo. “Quando os pisos cerâmicos são expostos a altas temperaturas, o dióxido de titânio se transforma e suas propriedades autolimpantes diminuem”.

Sílica

Para contornar essa limitação e ainda assim manter as propriedades de resistência e impermeabilidade dos pisos, os pesquisadores utilizaram nanopartículas de sílica. Eles descobriram que esse material de baixo custo proporciona uma estabilidade térmica maior ao revestimento quando utilizado em conjunto com o dióxido de titânio. 

À esquerda, o piso com o novo revestimento após 30 minutos de exposição à luz, bem mais limpo do que o piso comercial à direita (Imagem: Reprodução/USP)

Além de proteger o dióxido de titânico em peças submetidas a altas temperaturas, com a manutenção de todas as suas propriedades originais, a sílica também aumentou a atividade autolimpante dos revestimentos, proporcionando a degradação ativa da sujeira em tempo real.

“Nós simulamos um processo de degradação, aplicando um corante lilás às peças. Após 30 minutos de iluminação com radiação ultravioleta, os resultados mostraram que, enquanto os pisos comerciais degradaram apenas 30% do corante, os materiais com o novo revestimento limparam 90% da tinta”, acrescenta Rodrigues Filho.

Piso autolimpante

A reação que “liga” o sistema de autolimpeza ocorre por meio da atuação do dióxido de titânio, um material que consegue absorver energia de fontes de luz para degradar poluentes orgânicos. Quando o piso é exposto à radiação ultravioleta, o dióxido de titânio transforma essa radiação em energia química capaz de remover a sujeira.

“Na prática, isso auxilia na higienização dos locais, garantindo mais segurança, além de evitar o desgaste estético dos pisos. Em ambientes externos, por exemplo, o revestimento pode ser útil para preservar estruturas e paredes de edifícios, evitando o acúmulo de contaminantes”, explica o pesquisador do Instituto de Química da Unesp Elias Paiva Ferreira Neto, coautor do estudo.

Revestimento exposto à luz ultravioleta (Imagem: Reprodução/USP)

Os cientistas também querem verificar se o revestimento de dióxido de titânio e sílica funciona na eliminação de ungos, vírus e bactérias. Em tese, o mesmo mecanismo que degrada a sujeira, conseguiria desinfetar pisos e eliminar diversos contaminantes patológicos presentes no ambiente.

“Caso essa nova função seja comprovada, futuras cerâmicas tratadas com esse revestimento poderiam, além de limpar compostos orgânicos, ajudar na esterilização de ambientes hospitalares com a simples ativação de uma fonte de luz ultravioleta”, encerra o engenheiro de materiais Victor Martinez, que também participou da elaboração do estudo.

Fonte: Jornal da USP

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