Engenheira queniana converte lixo plástico em material superior ao concreto

Engenheira queniana converte lixo plástico em material superior ao concreto

Por Renato Santino | Editado por Douglas Ciriaco | 04 de Julho de 2022 às 18h00
Reprodução/YouTube

O lixo plástico é um dos grandes desafios da humanidade, mas uma engenheira do Quênia apresentou uma possível solução para esse problema. Nzambi Matee e sua empresa, a Gjenge Makers, desenvolveram uma forma de reciclar o material e transformá-los em material de construção que poderia substituir o concreto.

A organização se especializou na reciclagem do plástico para transformá-los em blocos para pavimentação, e destaca algumas vantagens significativas na aplicação, que vão além da preocupação ambiental. Ele é também sete vezes mais resistente, 15% mais barato de produzir e, ainda por cima, tem metade do peso, o que traz grandes vantagens logísticas.

Matee explica que o plástico é, por natureza, um material fibroso. Por este motivo, quando misturado com areia, submetido a um calor extremo e comprimido, ele pode ser moldado em um tijolo com grande força de compressão.

Graças ao procedimento desenvolvido por Matee e seus colegas, é possível eliminar que se formem bolsões de ar dentro dos blocos. O resultado disso é um material mais firme e que não deve rachar tão facilmente mesmo quando submetido a fortes impactos ou a condições climáticas extremas.

A ideia da engenheira veio ao observar o tamanho do desperdício de plástico em seu país. Ela explica que apenas a capital Nairóbi descarta 500 toneladas do material todos os dias. Apenas 10% disso é destinado à reciclagem, então há um grande potencial para reaproveitamento.

Há algumas limitações, no entanto. Não é qualquer tipo de plástico que pode ser reaproveitado no processo. Dos sete principais tipos, apenas quatro podem ser utilizados para a produção dos blocos; entre os excluídos está o PET, tão utilizado em garrafas.

Por enquanto, o projeto ainda é pequeno. Segundo Nzambi, a Gjenge Makers consegue produzir 1.500 blocos por dia com material que, de outra forma, seria descartado e ocuparia espaço em algum aterro do Quênia. Eles já são usados em Nairobi para pavimentar ruas e calçadas.

A expectativa é que o projeto possa se expandir para ser usado para mais aplicações. Seus criadores projetam que ele poderia ser usado como material de construção alternativo para habitações de baixo custo.

Além disso, a Gjenge Makers também deve partir para novos materiais além do plástico. “Queremos ser líderes em produtos de construção alternativos. Plástico é a nossa primeira área de ataque”, diz Nzambi Matee em entrevista à AFP.

Fonte: AFP (Via Phys.org)

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