Não é mágica: como funciona um holograma na vida real

Não é mágica: como funciona um holograma na vida real

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 05 de Março de 2022 às 16h00
Prostock-studio/Envato

Os hologramas se tornaram um sonho de empresas de tecnologia e entretenimento desde que um cientista inglês chamado John Henry Pepper apresentou essa ideia pela primeira vez em 1860. Mas o desejo de ter um dispositivo desses só virou moda quando a Princesa Leia apareceu como uma imagem flutuante em Star Wars há mais de 40 anos.

Até hoje, o rosto tridimensional de Jor-El na fortaleza da solidão revelando os mistérios de Krypton ao jovem Superman mexe com a nossa imaginação. Durante muito tempo, parecia que ter uma imagem 3D pairando no ar só seria possível nos filmes de ficção científica.

Felizmente, a tecnologia evoluiu e cientistas do mundo todo estão aprendendo a usar lasers, processadores digitais e detectores de movimento de última geração para transformar superfícies bidimensionais em hologramas reais, bem próximos daqueles que aparecem no cinema ou nos jogos de videogame.

O que exatamente são hologramas?

Os hologramas usam alguns princípios científicos diferentes que existem desde meados de 1800 para projetar uma figura em uma tela, dando a ilusão de uma imagem flutuante. Esses espectros tridimensionais são criados pela interferência de feixes de luz capazes de refletir objetos físicos.

A técnica conhecida como Pepper's Ghost foi inicialmente usada por ilusionistas para criar truques de mágica e por charlatões que diziam “exorcizar” casas mal-assombradas. Atualmente, esse recurso é utilizado todos os dias por jornalistas e produtores de conteúdo para alimentar equipamentos de teleprompter.

Simplificando, os hologramas usam reflexos e refrações de luz para criar uma ilusão 3D que pode ser observada em 360 graus. Dispositivos mais avançados são fabricados com materiais autocoloridos, que permitem que as imagens holográficas funcionem em todos os estados de iluminação.

Tipos de hologramas

Embora existam muitos tipos de hologramas e várias maneiras de classificá-los, eles são, em sua grande maioria, híbridos de projeções de reflexão ou de transmissão de luz. Os hologramas de reflexão são aqueles que podem ser vistos quando o observador está ao lado de uma fonte luminosa, de preferência sob uma luz branca.

Essa imagem 3D virtual é formada na parte de trás da superfície, dando a impressão de profundidade. A versão colorida desse tipo de holograma de reflexão pode ser tão perfeita que fica difícil distinguir entre o objeto real original e sua imagem holográfica.

Já nos hologramas de transmissão, a fonte de luz é colocada atrás do holograma e a imagem é projetada para o lado do observador de maneira muito mais nítida. Essa técnica conta com a ajuda de pequenos feixes de laser, capazes de transmitir uma representação exata da figura original.

Não é mágica

O princípio de funcionamento de um holograma é parecido com o de uma câmera fotográfica, mas em vez de ter um obturador que se abre para a passagem da luz, um feixe de laser é apontado para uma placa que o divide em dois feixes: um de referência e outro de iluminação.

Essa luz do feixe de referência é enviada diretamente para a placa fotográfica, e o feixe de iluminação é refletido na superfície do objeto antes de atingir a chapa iluminada por uma fonte única que, posteriormente, se tornará responsável por recriar a imagem em três dimensões.

O holograma registra um padrão de pequenas faixas de luz chamadas franjas de interferência. Transformar essas franjas microscópicas em uma imagem reconhecível requer o tipo certo de luz, capaz de converter esse processo complexo em uma reflexão idêntica ao objeto original.

Futuro da holografia

A empresa chinesa LED Pulse utiliza milhares de LEDs para dar volume aos objetos. O Dragon O, como é chamado pela companhia, possui painéis imensos e pode exibir todo tipo de conteúdo, móvel ou estático, de acordo com a criatividade de quem opera a máquina.

Já a startup norte-americana PORTL criou uma cabine holográfica. O equipamento é uma caixa branca enorme, com 2 metros de altura, que precisa de apenas uma câmera e um fundo branco para transmitir as imagens. O sistema permite que usuários de diferentes locais pareçam estar na mesma sala.

O HoloLens 2, da Microsoft, usa uma combinação de realidade virtual e realidade aumentada para criar hologramas ultrarrealistas. O equipamento possui 47 pixels por grau de visão, valor que permite uma interação precisa com hologramas flutuantes em ambientes digitais, garantindo uma experiência muito próxima da realidade.

Por enquanto, os hologramas da vida real não passam de imagens que exigem um sistema de suporte considerável para funcionar, mas com os avanços nessa área, é bem provável que essa tecnologia se torne mais acessível e — literalmente — palpável em um futuro próximo.

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