Como funciona a inusitada privada que transforma cocô em energia e criptomoedas

Como funciona a inusitada privada que transforma cocô em energia e criptomoedas

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 10 de Agosto de 2021 às 13h24
Reprodução/UNIST

Você já parou para pensar quanto vale o seu cocô em criptomoedas? Um professor de engenharia urbana e ambiental do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Ulsan (UNIST), na Coreia do Sul, fez essa conta e projetou uma privada que dá moedas digitais para os alunos que usarem o banheiro ecológico para fazer o número dois.

Os estudantes que utilizam esse vaso sanitário tecnológico e inusitado são recompensados ​​com unidades diárias da moeda digital criada pelo professor Cho Jae-weon. Cada ida ao banheiro vale 10 Ggool — que significa mel no idioma coreano. Os usuários podem usar a criptomoeda para comprar produtos no campus, como itens de papelaria, macarrão instantâneo, frutas e livros.

“Eu sempre pensei que as fezes eram sujas, mas agora elas representam um tesouro de grande valor para mim”, diz o estudante de pós-graduação Heo Hui-jin. “Eu nunca cogitei que faria isso, mas hoje eu até falo sobre fezes na hora das refeições, imaginando que posso comprar o livro que quiser com elas.”

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Alunos usam a criptomoeda para comprar produtos na universidade (Imagem: Reprodução/UNIST)

BeeVi

O assento sanitário criado pelo professor foi batizado de BeeVi, uma combinação das palavras “bee”, abelha, e “view”, visão, em inglês. O equipamento funciona como uma usina de geração de energia que emprega uma bomba de vácuo para enviar os dejetos para um tanque subterrâneo, reduzindo o consumo de água.

“A privada possui uma estrutura que pode sugar as fezes como um aspirador de pó e enviá-las diretamente para o sistema de produção de energia. Para fazer isso, precisamos de apenas 0,5 litro de água, uma quantidade muito menor do que a usada em vasos sanitários comuns”, explica o professor Cho.

No tanque, microorganismos decompõem os resíduos de metano, tornando a substância uma fonte alternativa de combustível. O gás, que seria normalmente liberado na atmosfera, é usado para aquecer a água, alimentar fogões e transformado em energia para abastecer o campus por meio de um gerador.

Uma lâmpada ultravioleta (UV) esteriliza e desinfeta o vaso sanitário, o assento e a tampa. A privada também possui um biossensor embutido que pode ser usado para analisar urina e outros resíduos para verificar se há biomarcadores, indicadores de doenças e até mesmo deficiências nutricionais.

Professor Cho Jae-weon ao lado do sistema de coleta da BeeVi  (Imagem: Reprodução/UNIST)

“Se pensarmos fora da caixa, as fezes têm um valor precioso para produzir bioenergia por meio da digestão anaeróbica biológica, separando o metano do dióxido de carbono durante o processo de compostagem. Nós apenas colocamos esse valor em circulação utilizando as criptomoedas como forma de incentivo para os alunos”, acrescenta o professor Cho.

Economia

Segundo os cálculos do professor, uma pessoa produz em média 500g de fezes por dia, quantidade que pode ser transformada em 50 litros de metano. Esse gás é capaz de gerar 0,5 kWh de eletricidade renovável ou ser usado também para abastecer um veículo comum por aproximadamente 1,2 km.

Além de uma fonte alternativa e renovável de energia, o vaso sanitário movimenta a economia da universidade. Para que não haja acúmulo de “riqueza”, 30% da moeda Ggool recebida pelo usuário devem ser divididos com outras pessoas na rede. A criptomoeda é ativada por meio de compartilhamento e gastos — se forem deixadas em uma conta, por exemplo, elas desaparecem.

“Um dos principais aspectos da Ggool é que ela foi projetada com uma taxa de juros negativa de 7%, calculada com base na queda da moeda a zero em 30 dias. Este é um mecanismo simples que apoia a noção de que a moeda foi criada para ser usada e não armazenada em uma “conta bancária”, encerra o professor Cho.

Fonte: ReutersUnist

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.