Cientistas conseguem reciclar baterias de carros elétricos usando bactérias

Cientistas conseguem reciclar baterias de carros elétricos usando bactérias

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 22 de Junho de 2021 às 19h20
claudioventrella/Envato

Cientistas da Universidade Coventry, na Inglaterra, descobriram que é possível utilizar bactérias no processo de reciclagem das baterias de veículos elétricos. Eles usaram um sistema conhecido como biolixiviação para extrair os metais valiosos das células de energia de íons de lítio que equipam os automóveis.

Esse processo natural para extração de metais já é usado pela indústria de mineração há bastante tempo. A técnica também é empregada na limpeza e recuperação de materiais encontrados no lixo eletrônico, como placas de circuito impresso, painéis solares e água contaminada por chumbo e urânio.

O processo, também chamado de biomineração, usa micróbios que conseguem oxidar metais como parte de seu metabolismo "Esse método é muito eficaz e ecologicamente correto, pois não agride o meio ambiente durante as fases de extração dos metais”, explica o professor de biologia molecular da Universidade Coventry, Sebastien Farnaud, autor principal do estudo.

Bactérias

Os pesquisadores utilizaram bactérias como Acidithiobacillus ferrooxidans e outras espécies não tóxicas para obter energia na oxidação de íons ferrosos, promovendo a solubilização de vários metais como cobre e zinco. Esse material metálico resultante do processo de extração possui elementos químicos que podem ser reciclados em várias cadeias produtivas.

Durante o processo de biolixiviação, as bactérias crescem em incubadoras a 37ºC, utilizando dióxido de carbono como combustível. Como esse sistema gasta uma quantidade de energia muito pequena, a pegada de carbono gerada é infinitamente menor do que a produzida por usinas convencionais de reciclagem.

Bactérias Acidithiobacillus ferrooxidans cultivadas em laboratório são usadas na reciclagem de baterias (Imagem: Microgen/Envato)

Combinando a biolixiviação com métodos eletroquímicos, os cientistas conseguiram remover os metais mais valiosos do lixo eletrônico e mantê-los flutuando em uma solução aquosa para que pudessem ser facilmente “pescados” e reutilizados em outros processos industriais.

Reciclar é preciso

Em sua maioria, a extração do metal é feita por meio do derretimento das células de energia em grandes usinas que consomem muita eletricidade e emitem uma quantidade muito elevada de carbono. As fábricas que realizam esse processo, a maioria delas na China, são caras para construir e requerem equipamentos sofisticados para lidar com as emissões dos poluentes gerados durante o processo de fundição das baterias. Mesmo assim, nem todos os materiais mais valiosos das células de energia conseguem ser recuperados e voltam para o meio ambiente.

As baterias usadas atualmente em carros elétricos têm uma vida útil que varia de oito a dez anos. Essas células de íons de lítio já são recicladas, mas o percentual ainda é muito baixo e esse processo consegue recuperar apenas 5% de todo o material utilizado na construção dos dispositivos de armazenamento de energia.

Baterias de veículos elétricos duram de oito a dez anos (Imagem: Patruflo/Envato)

Estima-se que o mercado global de reciclagem de metais deva crescer de US$ 52 bilhões (cerca de R$ 260 bilhões) em 2020 para pouco mais de US$ 76 bilhões (aproximadamente R$ 380 bilhões na conversão direta) em 2025. Por isso, é preciso rever os conceitos usados nos sistemas de reaproveitamento que consomem energia em excesso e agravam os problemas ambientais.

“Em vez de ficar em segundo plano, com a biolixiviação a reciclagem pode se tornar tanto o início quanto o fim do ciclo de vida de uma bateria em veículos elétricos, produzindo matérias-primas de alta qualidade para a fabricação de novas células de energia com baixo custo ambiental”, conclui Farnaud.

Fonte: The Conversation

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