Projeto sugere criar satélites feitos de fungos para resolver lixo espacial

Projeto sugere criar satélites feitos de fungos para resolver lixo espacial

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 19 de Maio de 2021 às 21h00
Dotted Yeti/Shutterstock.com

O primeiro satélite, chamado Sputnik, foi enviado para o espaço em 1957 pela então União Soviética. De lá para cá, enviamos inúmeros objetos para a órbita da Terra, que abriga também muitas peças descartadas em lançamentos de foguete. Segundo os números mais recentes do Space Debris Office (SDO), da Agência Espacial Europeia (ESA), só de satélites orbitando o planeta temos aproximadamente 6.900. O desafio dos projetistas, hoje, é elaborar um modelo de satélite que gere menos lixo espacial, ou que dure menos tempo após desativado — e uma nova proposta imagina satélites feitos a partir de fibras de micélio, uma espécie de fungo.

Além das atuais ameaças de colisão, a grande quantidade de lixo espacial em órbita pode se tornar, em breve, um problema ambiental. Durante a reentrada desses detritos na atmosfera, partículas de alumínio e outros resíduos tóxicos podem ficar dispersos pelo ar, permanecendo por longos períodos na atmosfera. Max Justice, especialista em segurança cibernética e ex-fuzileiro naval, acredita que o micélio possa resolver estes dois problemas.

Micélio crescendo em uma plantação de café (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons/Tobi Kellner)

O micélio é o produto de uma colônia bacteriana, que consiste em uma massa de ramificações formada por um emaranhado de hifas — os filamentos das células dessas bactérias —, formando grandes estruturas. A mais conhecida delas é o cogumelo. À medida que cresce, o micélio libera uma enzima capaz de transformar açúcares ou resíduos vegetais em nutrientes benéficos, e isto permite que ocupem praticamente qualquer superfície.

Ao morrer, o micélio deixa para trás suas fibras que são leves e muito resistentes. Por essa razão, o micélio é uma das fibras orgânicas estudadas para serem usadas como material de construção e manufatura. Vale lembrar que outros projetos baseados em fibras de micélio estão sendo desenvolvidos, como as futuras colônias espaciais construídas por tijolos de micélio — desenvolvido pela Ames Research Center, da NASA.

O trabalho de Justice teve como inspiração nas pesquisas que estão sendo conduzidas pela Sumitomo Forestry e pela Universidade de Kyoto, no Japão, e lidera por Takao Doi, ex-astronauta da agência espacial do país (JAXA) e também professor da universidade. O projeto busca construir os primeiros “satélites de madeira”, que teriam camadas de fibra de celulose (célula vegetal) altamente resistentes às mudanças de temperatura e de luz solar direta.

Tijolos produzidos com micélio, através de resíduos de jardim e raspas de madeira (Imagem: Reprodução/NASA/Stanford-Brown-RISD iGEM Team)

No entanto, Justice bate na tecla de que o micélio não é apenas um material forte e mais flexível do que a madeira, como também é muito mais renovável, ou seja, um recurso com padrões sustentáveis. "Dependendo do tipo de micélio usado, ele pode ser mais flexível do que a madeira e/ou mais forte, mais leve e, naturalmente, muito mais retardador de fogo”, explica. O ex-fuzileiro naval espera que a NASA e outras agências governamentais, além de empresas privadas, possam aderir o uso desse material.

Fonte: Phys.org

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