Iniciativa brasileira aposta em método inovador para reciclar baterias

Iniciativa brasileira aposta em método inovador para reciclar baterias

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 03 de Maio de 2021 às 17h45
Reprodução/John Cameron Unsplash

Os processos de reciclagem de baterias no Brasil geralmente são feitos por meio de pirometalurgia, quando a matéria-prima é coletada e depois incinerada. Nesse sistema, ocorre um alto consumo de energia, as emissões de carbono são elevadas e a perda na recuperação de materiais como o lítio é muito grande.

Para reverter esse quadro, uma parceria entre a Escola Politécnica da USP, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação (Embrapii), a Fundação USP e a empresa Tupy pretende implantar o sistema de hidrometalurgia.

“Nesse processo, a matéria-prima é dissolvida em soluções ácidas e, então, extrai-se a substância desejada. Esse método consome menos energia, gera menos emissões de carbono e possibilita uma maior recuperação de materiais”, explica o gerente da Tupy Tech Élio Kumoto.

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Hidrometalurgia consegue reciclar baterias com maior eficiência (Imagem: Reprodução/WCCF Tech)

Investimentos

O estudo terá um investimento inicial de R$ 4 milhões e será conduzido por 15 pesquisadores ao longo dos próximos dois anos. Todo o trabalho passará pelo Laboratório de Reciclagem, Tratamento de Resíduos e Extração da Escola Politécnica da USP (Larex). O objetivo é criar um sistema capaz de abastecer o mercado de baterias com soluções ecologicamente amigáveis.

“Um desafio importante para a viabilidade dos veículos elétricos é o ciclo de vida de produto, principalmente, quando falamos das baterias, que contêm uma variedade de matérias-primas metálicas, de terras raras e não renováveis. Para isso, é necessário investir em reciclagem, o que diminuirá a necessidade de extração e o impacto ambiental”, afirma o coordenador do Larex, Jorge Tenório.

Processos de reciclagem

Atualmente, a reciclagem das baterias começa pela separação, passando ainda por trituração, filtragem e teste químico. Durante a separação, as baterias são abertas para retirada do miolo metálico, que é o componente mais valioso das células de energia.

Na trituração, a parte metálica é processada até virar um pó que será tratado quimicamente a fim de neutralizar o seu pH e deixar de ser tóxico ao meio ambiente. A partir desse ponto, o pó é filtrado para separação da parte líquida e só depois acontecem os testes químicos para descobrir quais metais estão presentes em maior quantidade.

Metais presentes nas baterias ainda são pouco reaproveitados (Imagem: Frank Wang/Unsplash)

Caminho longo

A reciclagem de baterias e dos materiais usados em sua fabricação ganha destaque na mesma proporção em que a demanda aumenta. No Brasil, esse reaproveitamento ainda é pequeno: segundo dados do Recicla Sampa, apenas 1% dos 400 milhões de baterias e mais de 1 bilhão de pilhas vendidas por mês são reciclados em todo o país.

Apenas 1% das baterias descartadas no Brasil são recicladas (Imagem: John Cameron/Unsplash)

Boa parte dessa falta de interesse na reciclagem das baterias está no alto custo do processo de reaproveitamento. Para recuperar uma tonelada de material usado na fabricação de células de energia são necessários aproximadamente R$ 990 reais. Na mesma quantidade de papel, a indústria gasta pouco mais de R$ 400.

Além de reduzir o impacto ambiental causado pela recuperação de baterias, os pesquisadores esperam que o novo sistema de reaproveitamento possa tornar o processo de reciclagem mais atraente para ser aplicado em grande escala no futuro.

Fonte: Tupy

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