Casas feitas por impressoras 3D ficam prontas em apenas 48 horas

Por Jessica Pinheiro | 26 de Março de 2018 às 12h00
New Story

Uma organização sem fins lucrativos chamada New Story, em parceria com uma construtora conhecida como Icon, juntou seus alicerces para criar um protótipo de imóvel cujo projeto serviria para erguer casas para a população pobre em países subdesenvolvidos. Seguindo a proposta, eis que as duas empresas conseguiram construir uma casa de concreto de 35 metros quadrados em um prazo de 48 horas em Austin, no Texas, durante o festival South by Southwest.

A expectativa é de que esse modelo traga soluções a pelo menos uma parte das 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo que não possuem uma moradia digna. Além disso, o objetivo final é construir uma versão de 60 metros quadrados e reduzir amplamente os custos de produção de um imóvel, que atualmente gira em torno dos US$ 33 mil (aproximadamente R$ 109 mil) para uma casa com 35 metros quadrados.

Para efeito de comparação, no Brasil existe o projeto Minha Casa Minha Vida, cuja proposta entrega moradias que custam entre R$ 62,5 mil e R$ 300 mil dependendo da região e da faixa de renda dos compradores – sendo que parte desse valor é financiado pelo governo.

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Brett Hagler, CEO da organização New Story, pretende expandir a construção de moradias dignas, começando por em El Salvador no fim deste ano (Imagen: New Story)

Para que a ideia seja validada e a economia seja utilizada, as casas são impressas. O concreto seria comprado em grandes quantidades e o tempo de construção de uma unidade diminuiria para uma média de 12 e 24 horas.

Para construir mais pilotos desse tipo de casa, em 2019 o projeto das duas companhias irá até El Salvador para erguer 100 moradias em uma pequena comunidade. Caso esses modelos deem certo, a proposta “literalmente mudará a forma como as casas são construídas”, afirma Brett Hagler, presidente executivo e cofundador da New Story.

Simples como imprimir uma casa

Considerando a explosão de impressões 3D nos últimos tempos, não é de se espantar que logo esta tecnologia fosse implementada na criação de imóveis. O processo de impressão 3D de uma casa, por sinal, é muito similar ao momento em o usuário imprime objetos em pequena escala, o que significa é impressa uma camada por vez, só que utilizando um material mais resistente — neste caso, uma argamassa semelhante ao concreto tradicional.

O material semelhante a uma argamassa sai de uma espécie de mangueira e vai formando a casa em camadas. (Imagem: New Story)

As medidas de altura e de largura do imóvel são definidas pelo tamanho de uma enorme estrutura metálica que funciona de forma autônoma quando as instruções de impressão são dadas. A máquina que ergueu a casa no evento na última semana pode imprimir peças de até 3,35 metros de altura, segundo o que explicou o presidente executivo da Icon, Alex Le Roux.

O CEO da construtora também explicou que a impressão funciona como se fosse um trem, por trilhos, o que permite que sejam construídas muitas casas, apenas paredes ou até uma moradia muito grande. A máquina segue os planos criados por um software de desenho (como o Autocad, por exemplo) e, por conta disso, os proprietários podem criar suas próprias plantas ou ainda apresentarem um modelo já pronto para a impressora.

O protótipo de residência construída aparentava ser uma estrutura pequena, mas confortável, de acordo com o site BBC. Ao que tudo indica, a edificação parece suportar climas extremos e desgaste pelo tempo. Em pouco tempo, a habitação foi finalizada e então mobiliada, recebendo, por fim, a devida instalação elétrica.

A máquina, o mercado e o futuro

A casa erguida em Austin, no Texas em primeiro plano, passou pelo mesmo processo de de construção com trilhos (Imagem: New Story)

Apesar de parecer que os modelos de casas impressas irão impactar fortemente a economia no que diz respeito ao mercado de trabalho, ainda assim Hagler argumenta que é necessário expandir a mente sobre o conceito, já que quanto mais rápido uma moradia digna for construída, mais rápido será possível obter rendimento ou até mesmo um microempréstimo para iniciar os negócios.

O empresário ainda acredita que as máquinas poderão ser operadas por trabalhadores que operam no setor de construção civil e que, com a demanda por mais cada vez mais obras, o custo de cada impressora 3D ficará mais em conta no mercado. Além do mais, moradias como a que foi erguida em Austin poderão ser uma referência para serviços de aluguéis de imóveis como, por exemplo, o AirBnB.

O projeto em El Salvador, por sua vez, será financiado por doações de empresários do ramo tecnológico do Vale do Silício. Todavia, as casas não serão doadas. Hagler explica que as famílias interessadas no projeto deverão pagar uma hipoteca em 10 anos, muito embora a proposta não tenha como objetivo lucrar com isso. “Esse dinheiro [das prestações] não voltará para nós, irá para um fundo comunitário”. O fundo, por sua vez, será destinado à manutenção das próprias moradias, além de financiarem ainda mais casas no futuro.

Fonte: BBC

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