Técnico mantém computador criado em 1959 funcionando perfeitamente

Por Nathan Vieira | 04 de Agosto de 2019 às 16h00

Em meio à vasta tecnologia que se reinventa a cada dia, sempre tem aqueles usuários nostálgicos que dão valor aos aparelhos mais antigos. No entanto, uma empresa japonesa chamada Fujitsu Tokki Systems se superou definitivamente, ao manter em pleno funcionamento um computador criado em 1959. Trata-se do FACOM128B, que conta até com um funcionário sob a função exclusiva de preservá-lo.

O técnico destinado a manter o funcionamento do FACOM128 se chama Tadao Hamada, de 49 anos, que acredita que assegurar a operacionalidade histórica do computador dos anos 60 ajudará a transferir a herança tecnológica do Japão para a posteridade. "Vou mantê-lo para sempre", o técnico declara ao portal asiático The Asahi Shimbum. Hamada trabalha em uma subsidiária da Fujitsu. O computador antigo, que pesa três toneladas, é conhecido por fazer alguns barulhos bem altos a cada vez que é ligado ou desligado, por meio de interruptores que utilizam um eletroímã.

Tadao Hamada mantendo o FACOM128B em pleno funcionamento (Foto: The Asahi Shimbum)

O modelo FACOM128B, que foi desenvolvido pela Fujitsu em 1959 como um computador pioneiro fabricado no Japão para competir com a International Business Machines Corp. nos Estados Unidos, adotou a tecnologia de retransmissão usada para o núcleo das centrais telefônicas. O uso de tubos de vácuo era a maneira mais comum para a utilização de aparelhos, na época.

O FACOM128B ficou conhecido pela indescritível contribuição aos avanços tecnológicos durante o período de alto crescimento econômico do Japão, do início dos anos 1960 até o início dos anos 1970. O computador foi usado no projeto de lentes de câmeras e no avião YS-11, o primeiro a levar passageiros do Japão, desenvolvido após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Em 2018, o computador da Fujitsu entrou para a lista de Materiais Históricos Essenciais para Ciência e Tecnologia pelo Museu Nacional da Natureza e da Ciência. O profissional destinado a cuidar do FACOM128B não esconde que adora trabalhar com máquinas desde a infância, e se formou em uma escola de ensino médio na província japonesa de Nagasaki. "Minha verdadeira vocação”, diz o técnico sobre a manutenção do computador em questão.

Três anos depois de entrar na Fujitsu Tokki Systems, Hamada foi implantado na divisão de manutenção da empresa para “se envolver em tratamento de máquinas”. Posteriormente, o técnico foi selecionado como o líder de um projeto da Fujitsu que começou em 2006, por ter mantido sistemas de computação para agências governamentais.

Inicialmente, Hamada não se adaptou muito bem ao computador, já que seu mecanismo operacional é totalmente diferente daquele dos computadores atuais que empregam chips semicondutores. "Eu não conseguia entender as palavras em seus desenhos de projeto no início", admite Hamada.

FACOM128B pesa três toneladas e ocupa 70 metros quadrados (Foto: Fujitsu)

Atualmente, ele visita frequentemente a Fujitsu Numazu para verificar e reparar o FACOM128B, embora seu principal local de trabalho seja em Tóquio. Como o local aceita visitas do público, os visitantes ficam surpresos quando o enorme computador, que ocupa 70 metros quadrados na sala de exposições, começa a funcionar, com perfeição ainda por cima. "Se o computador não funcionar, ele se tornará um mero enfeite", afirma Hamada. “O que as pessoas sentem e o que veem são coisas diferentes para cada indivíduo. A diferença não pode ser identificada a menos que seja mantida operacional", o rapaz completa.

Fonte: The Asahi Shimbum

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